Descrição de chapéu The New York Times

Protesto de republicanos interrompe depoimento do inquérito de impeachment de Trump

Parlamentares tentaram invadir sala para pedir que testemunhos sejam realizados a portas abertas

Washington | The New York Times

Dezenas de deputados republicanos, entoando gritos de “deixe-nos entrar! vamos entrar!”, tentaram invadir uma sala onde uma autoridade do Departamento de Defesa testemunhava nesta quarta-feira (23) dentro do inquérito de impeachment contra Donald Trump.

Os parlamentares —a maioria dos quais sem participação nas comissões que conduzem o processo e que, portanto, não têm direito a comparecer às audiências— disseram protestar contra o depoimento a portas fechadas, mas aberto a membros de ambos os partidos que pertencem aos comitês que coordenam o inquérito.

As sessões privadas geraram uma série de testemunhos de membros do governo, em grande parte confirmando e ampliando a queixa do denunciante anônimo que desencadeou o inquérito de impeachment do presidente americano

Deputados republicanos falam à imprensa após a vice-secretária assistente de Defesa Laura Cooper chegar para depoimento
Deputados republicanos falam à imprensa após a vice-secretária assistente de Defesa Laura Cooper chegar para depoimento - Carlos Jasso/Reuters

A cena caótica nos corredores do Capitólio se desenrolou enquanto o comitê se preparava para ouvir Laura Cooper, vice-secretária adjunta de Defesa para a Rússia, Ucrânia e Eurásia.

Os republicanos criticam ferozmente os democratas por limitarem o comparecimento às audiências aos membros dos Comitês de Inteligência, Judiciário e Relações Exteriores. É prática comum, no entanto, que investigações sigilosas do Congresso sejam conduzidas a portas fechadas, pelo menos em seus estágios preliminares.

Em 2012, quando uma investigação sobre o ataque à embaixada dos EUA em Benghazi, na Líbia, foi aberta, os republicanos da Câmara fizeram exatamente a mesma coisa. 

Os democratas dizem que vão realizar audiências abertas depois que os comitês terminarem os depoimentos das testemunhas. Afirmam também que pretendem divulgar transcrições públicas depois que os documentos forem analisados para determinar se contêm algum material confidencial.

Em uma entrevista coletiva antes de tentarem invadir a sessão, os republicanos exigiram acesso a essas transcrições, denunciando o inquérito diante das câmeras de canais de notícias com termos exagerados. 

O deputado republicano Andy Biggs, do Arizona, por exemplo, falou em "processo de impeachment ao estilo soviético". Já o deputado Jim Jordan, de Ohio, principal republicano no Comitê de Supervisão da Câmara, disse que a manifestação é indicativo de uma frustração mais ampla com os testemunhos a portas fechadas

Durante o protesto, alguns dos republicanos levavam celulares, o que é proibido na área das salas protegidas para depoimentos.

Não está claro se, por isso, violações éticas serão registradas contra quem estava com telefones naquele momento. "Eles violaram as regras da Câmara tentando derrubar comitês dos quais não participam", disse o democrata Ted Lieu, da Califórnia.

"Tudo isso é um ataque direto à investigação e, portanto, quando você não possui uma lei ou os fatos, você ataca e interrompe o processo."

 Tradução de AGFox 

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