Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Trump manda agências federais cortarem assinaturas de New York Times e Washington Post

Casa Branca quer que funcionários não renovem compra de jornais cuja cobertura classifica como 'falsa'

Andrew Restuccia
Washington | The Wall Street Journal

A Casa Branca pretende instruir agências federais a não renovarem suas assinaturas dos jornais The New York Times e The Washington Post, o que intensifica os ataques de Donald Trump a meios de comunicação.

A decisão vem dias depois de o presidente americano expressar frustração com a cobertura realizada pelas duas publicações e dizer a sua equipe na Casa Branca para cancelar as assinaturas impressas de ambos os periódicos.

"Não queremos mais isso na Casa Branca", disse o presidente sobre o New York Times durante uma entrevista com o apresentador Sean Hannity, da Fox News, que foi ao ar na noite de segunda-feira (21).

Donald Trump discursa em conferência em Pittsburgh
Donald Trump discursa em conferência em Pittsburgh - Brendan Smialowski - 23.out.19/AFP

Como resultado da declaração, de acordo com uma autoridade da residência oficial do presidente, as edições impressas do Washington Post e do New York Times não estavam entre as publicações entregues na Casa Branca nesta quinta-feira. 

"Não renovar assinaturas em todas as agências federais será uma economia significativa —centenas de milhares de dólares dos contribuintes serão economizados", disse a porta-voz do governo americano, Stephanie Grisham, por e-mail, nesta quinta-feira (24).

Grisham não quis dar detalhes, e não ficou claro como a Casa Branca pretende obrigar as agências a cancelar as assinaturas ou em quanto tempo o pedido entraria em vigor.

O presidente tem com frequência criticado e procurado desacreditar a cobertura feita pelos jornais sobre seu governo, incluindo as negociações com a Ucrânia e o resultante inquérito de impeachment contra ele na Câmara dos Deputados.

No Twitter e durante comícios de campanha, Trump atacou a mídia, chamando-a de "inimigo do povo" e classificando alguns dos veículos de jornalismo mais respeitados do país como "fake news".

Em junho, escreveu na rede social que uma reportagem do New York Times representava um "virtual ato de traição".

O editor-chefe do jornal, A.G. Sulzberger, respondeu, com um artigo de opinião no Wall Street Journal, dizendo que "o novo ataque cruza uma linha perigosa na campanha do presidente contra uma imprensa livre e independente".

Trump é um ávido consumidor de notícias e lê regularmente os dois periódicos, de acordo com assessores que admitem, em particular, acreditar que ele, apesar da ordem, manterá o hábito.

Não se sabe imediatamente quantas assinaturas do New York Times e do Washington Post o governo federal tem. Os funcionários da Administração de Serviços Gerais e do Escritório de Gerenciamento e Orçamento da Casa Branca não forneceram dados sobre o número total de assinaturas.

Mesmo que deixem de receber a versão impressa do Washington Post, funcionários públicos federais podem receber gratuitamente assinaturas digitais do jornal usando seus endereços de e-mail do governo.

A decisão da Casa Branca poderá limitar o acesso das autoridades a informações vitais que podem ajudá-las a desempenhar seu trabalho. Porta-vozes do New York Times e do Washington Post não quiseram comentar.

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