Na Argentina, cargo de vice-presidente tem mais poderes que no Brasil

Cargo que Cristina Kirchner assumirá inclui função de presidir Senado e desempatar decisões legislativas

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O cargo de vice-presidente da Argentina, que Cristina Kirchner assumirá no próximo dia 10 de dezembro, tem particularidades com relação ao mesmo posto no Brasil. 

Na Argentina, o vice não apenas assume o lugar do presidente temporariamente —quando o titular está doente ou ausente— ou de forma permanente —em caso de morte, renúncia ou impedimento. 

Ele também preside o Senado e tem poder de voto no caso de decisões legislativas que estejam empatadas. Ou seja, funciona como vínculo entre o Executivo e o Legislativo.

Cristina Kirchner celebra vitória na eleição da Argentina; ela é vice de Alberto Fernandez
Cristina Kirchner celebra vitória na eleição da Argentina; ela é vice de Alberto Fernández - Agustin Marcarian/Reuters

Na democracia argentina, há tanto um histórico de vices que viraram presidentes —nove— quanto de vices que tiveram problemas com seus presidentes e terminaram afastados ou renunciaram ao cargo.

Entre os que viraram presidentes, a mais conhecida é Maria Estela Martínez de Perón, a Isabelita Perón, terceira mulher do general Juan Domingo Perón. Ela era vice do marido e assumiu após a morte dele, em 1974. Isabelita governou por dois anos, até que foi derrubada pelo golpe militar, em 1976.

Também entre os vices que depois assumiram o posto principal está Eduardo Duhalde, que se elegeu na chapa de Carlos Menem em 1989.

Duhalde concorreu à presidência em 1999, mas foi derrotado por Fernando de La Rúa. Depois da renúncia deste, em 2001, foi designado pelo Congresso como presidente, já que o próprio vice de De La Rúa, Carlos "Chacho" Álvarez, também havia renunciado.

Tudo isso em meio à grave crise econômica que eclodiu naquele ano.

Entre os vices que tiveram problemas com seus chefes está o próprio "Chacho" Álvarez, que renunciou por diferenças políticas "irreconciliáveis" com De la Rúa. Outro foi Julio Cobos, o primeiro vice de Cristina, de quem ela se afastou depois que ele votou contra uma lei criada pela presidente no Congresso.

Cristina não teve sorte também com seu vice seguinte. Amado Boudou está preso, depois de ter sido condenado, em 2018, a cinco anos e dez meses por tráfico de influência.

Erramos: o texto foi alterado

A ex-presidente da Argentina Maria Estela Martínez​ de Perón não foi a segunda mulher de Juan Domingo Perón. Ela, na verdade, foi a terceira esposa do general. A informação foi corrigida.
 

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