Vitória de Warren seria 'um saco' para o Facebook, diz Zuckerberg em áudio vazado

Democrata promete dividir a empresa caso seja eleita presidente dos EUA

David Shepardson Elizabeth Culliford
Washington | Reuters

O CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, disse aos funcionários que a empresa "lutaria com unhas e dentes" para derrotar a proposta da pré-candidata democrata Elizabeth Warren de dividir a maior rede social do mundo caso ela seja eleita presidente dos EUA. 

A fala do executivo foi dada em julho durante duas reuniões internas da empresa e divulgada nesta terça-feira (1º) pelo site The Verge. 

"Se ela (Warren) for eleita presidente, eu aposto que teríamos uma contestação jurídica e que venceríamos. E isso seria um saco para nós? Sim. Eu não quero abrir um processo enorme contra nosso próprio governo", afirmou o executivo, segundo o áudio publicado pelo site.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, durante sua visita ao Congresso americano em setembro
Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, durante visita ao Congresso americano em setembro - Brendan Smialowski - 19.set.19/AFP

Warren pediu em março a divisão da Amazon, do Facebook e da Alphabet (dona do Google). Nesta terça, ela usou uma rede social para comentar o caso. 

"O que realmente seria um saco é se não consertarmos um sistema corrupto que permite que empresas gigantes como o Facebook se envolvam em práticas anticoncorrenciais ilegais e prejudiquem os direitos à privacidade do consumidor", escreveu Warren, uma das favoritas na disputa democrata. 

No áudio, Zuckerberg disse que a divisão de grandes empresas de tecnologia tornaria a interferência eleitoral "mais provável, porque agora as empresas não podem trabalhar de forma coordenada e conjunta".

Ele também provocou gargalhadas ao dizer que o investimento do Facebook em segurança é maior do que toda a receita do Twitter.

O executivo divulgou uma declaração em sua página no Facebook, com um link para a transcrição, embora tenha dito que ela deveria ter sido interna.

"Vocês podem conferir se estiverem interessados em uma versão sem filtros do que penso e digo aos funcionários", escreveu ele no post.

A Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos realiza uma investigação  antitruste contra o Facebook. Além disso, um grupo de procuradores estaduais, liderados por Nova York, também está investigando a empresa.

Outros pré-candidatos presidenciais democratas também já criticaram a empresa de Zuckerberg.

O senador Bernie Sanders disse que gostaria de dividir Facebook, Google e Amazon, enquanto a senadora Kamala Harris disse que um desmembramento deveria ser "seriamente" considerado.

A senadora Amy Klobuchar, uma das legisladoras que introduziu uma lei que forçaria o Facebook a divulgar compradores de anúncios na plataforma, anunciou sua campanha com um discurso em que criticava as principais empresas de tecnologia.

Outro executivo sênior do Facebook disse à agência Reuters neste mês que a empresa está confiante de que conseguiria frustrar um esforço para desmembrá-la.

Com mais de 2 bilhões de usuários mensais, o Facebook está sendo investigado por órgãos reguladores de todo o mundo por causa de suas práticas de compartilhamento de dados.

A empresa também foi atacada por não impedir a interferência russa nas eleições presidenciais dos EUA em 2016.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e outros republicanos criticaram as plataformas de mídia social por suposta parcialidade contra os conservadores, o que foi negado pelas empresas.

No mês passado, Zuckerberg esteve no Capitólio pela primeira vez desde que testemunhou perante o Congresso dos EUA em abril de 2018. Na visita, encontrou-se com Trump e com membros do Congresso.

No áudio vazado, ele explicou por que recusou pedidos para testemunhar publicamente perante legisladores de todo o mundo, incluindo o Senado dos EUA.

"Realmente não faz sentido eu ir a audiências em todos os países que querem que eu apareça", disse ele aos funcionários.

 

Tradução de AGFox

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