Colômbia entra no 3º dia de protestos com confronto entre manifestantes e policiais

Forças de segurança usam gás lacrimogêneo para dispersar grupos em Bogotá

Bogotá | Reuters

A Colômbia entrou, neste sábado (23), no terceiro dia de protestos, com confrontos entre manifestantes e policiais, após dois dias de toque recolher e relatos de saques isolados na capital, Bogotá.

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para dispersar um grupo que ocupava uma rodovia perto do Parque Nacional de Bogotá, na capital, durante a tarde.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram latas de gás sendo atiradas e manifestantes gritando com policiais e pedindo a outras pessoas que não atirassem pedras contra os agentes.

Um foco de protesto também se concentrou na praça Bolívar, em Bogotá, perto do palácio presidencial.

A capital esteve sob toque de recolher entre as 21h de sexta e as 5h deste sábado.

O prefeito da cidade, Enrique Penalosa, afirmou que os saques e as supostas invasões a casas durante a noite podem ter sido organizados por criminosos.

Na quinta (21), sindicatos, grupos de estudantes, indígenas e ambientalistas marcharam na capital e nas principais cidades do país, em uma greve geral para rechaçar medidas como uma reforma trabalhista e outra previdenciária que estão sendo propostas pelo governo do presidente Iván Duque.

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas, e houve registros de enfrentamentos com a polícia em Bogotá, Manizales e Cali, onde também foi decretado toque de recolher.


Por que os colombianos marcham?

A lista de reclamações e demandas nos protestos que tomaram a Colômbia nesta semana é diversificada e inclui:

Rejeição a reformas para flexibilizar o mercado de trabalho e o sistema de aposentadorias; o governo de Iván Duque, no entanto, nega que haja propostas de reformas nesse sentido

Questionamento da política de segurança, que é focada no combate ao narcotráfico

Proteção aos indígenas após o assassinato de 134 deles desde o início da gestão, há 15 meses
Aumento de recursos para educação pública

Rejeição ao assassinato de 170 ex-combatentes das Farc, que assinaram o acordo de paz em 2016; nos últimos meses, guerrilheiros dissidentes anunciaram o retorno à luta armada, acusando o governo de violar seus compromissos no tratado de paz

Fim da violência contra líderes sociais, que deixou 486 mortos entre 1º de janeiro de 2016 e 17 de maio de 2019, de acordo com levantamento divulgado pela Defensoria Pública


Fonte: Reuters e AFP

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