Como funciona a checagem de 'votos observados' no Uruguai?

País precisará esperar alguns dias para saber quem será o novo presidente

Montevidéu | AFP

A diferença entre os dois candidatos que participaram do segundo turno no Uruguai neste domingo (24) é tão pequena que será preciso esperar que a Corte Eleitoral faça a checagem dos chamados "votos observados".

Esse procedimento acontece em todas as eleições no país, e começará na terça-feira (26). A expectativa é que seja concluído até sexta-feira (29).

O candidato Luis Lacalle Pou, que está à frente na apuração - Mariana Greif - 25.nov.2019/Reuters

Após a primeira apuração, Lacalle Pou, 46, do Partido Nacional, tem 48,71% dos votos, e Daniel Martínez, da Frente Ampla, 47,51%.

A diferença entre os candidatos é de cerca de 30 mil votos. Há 35 mil votos observados para serem analisados. Nessa categoria, entram os eleitores que votaram em uma zona eleitoral diferente de onde estão registrados ou que não são encontrados nos cadastros nos locais de votação, e têm os dados anotados para serem verificados posteriormente. 

A lei estabelece que esses votos sejam registrados de modo separado, para que depois a Justiça Eleitoral possa confirmar a identidade destes eleitores, incluí-los no cadastro e, assim, validar seus votos.

No primeiro turno, os votos anulados que foram por fim contabilizados alcançaram apenas 1.700, um número que não afeta o resultado da eleição, explicou à agência de notícias AFP Federico Comesaña, diretor da empresa de consultoria Enia, que analisa as estatísticas de votação.

A checagem dos votos do segundo turno começará ao meio-dia desta terça (26) e se estenderá até no máximo sexta-feira.

Essa contagem definitiva determinará oficialmente quem foi o ganhador do pleito e que assumirá o poder no próximo 1º de março.

O cenário é adverso para Martínez. Após a apuração de 100% das zonas eleitorais, ele precisa obter 91% dos votos observados, de acordo com a Enia.

Enquanto Martínez celebrou o resultado, ao lado de vários líderes da Frente Ampla, Lacalle Pou criticou o candidato do governo por não reconhecer a derrota.

"Há formas de aceitar os resultados. Formalmente saberemos em poucos dias. Lamentavelmente o candidato do governo não nos ligou nem reconheceu o resultado que, do nosso ponto de vista, é irreversível", disse Lacalle Pou.

Martínez não admitiu a derrota e disse a seus simpatizantes que ainda restam alguns votos a serem contados. "Teremos que esperar para saber o resultado final."

O Uruguai pode dar uma guinada após três mandatos consecutivos da Frente Ampla, uma coalizão de partidos de esquerda que reúne socialistas, comunistas, social-democratas, ex-guerrilheiros e economistas ortodoxos.

Em 15 anos de poder, a coalizão de esquerda aprovou o aborto em 2012, assim como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a legalização da maconha em 2013. 

Mas teve que enfrentar nos últimos anos o índice de desemprego de 9,5%, uma economia estagnada com persistente déficit fiscal de 4,9% do PIB, além do aumento de 45% no número de homicídios entre 2017 e 2018, em um país considerado seguro no contexto latino-americano.

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