Diferentemente de Bolsonaro, Trump parabeniza Alberto Fernández

Brasileiro lamentou eleição de novo presidente argentino e disse que não irá à sua posse

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O presidente dos EUA, Donald Trump, telefonou na tarde desta sexta-feira (1º) para o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, para felicitá-lo por sua vitória nas eleições do último domingo (27).

Segundo a assessoria de imprensa do argentino, Trump teria dito: “Parabéns pela vitória, assistimos pela televisão. Você vai fazer um trabalho fantástico. Espero poder conhecê-lo imediatamente. Sua vitória foi comentada no mundo todo”.

Trump também teria dito que instruiu o FMI (Fundo Monetário Internacional) “para ajudar a Argentina". “Não hesite em me ligar”, disse.

Fernández agradeceu e afirmou esperar ter uma relação “madura e cordial” com o americano e que “a Argentina está numa situação muito complexa e precisa de ajuda”.

O presidente recém-eleito da Argentina, Alberto Fernández - Agustin Marcarian/Reuters

Fernández foi eleito com 48,04% dos votos válidos, vencendo Mauricio Macri, que deixou a Argentina em um cenário de crise e pobreza crescente.

Mais cedo nesta sexta, o presidente Jair Bolsonaro —aliado de Donald Trump— disse que não iria à posse do presidente eleito em 10 de dezembro. Sua fala arrancou aplausos de apoiadores que o esperavam na porta da residência oficial da Presidência.

O mandatário brasileiro ainda não cumprimentou o kirchnerista, diferentemente de outros líderes da região, como o centro-direitista Sebastián Piñera, do Chile, também seu aliado. Bolsonaro ainda afirmou que lamentava a eleição de Fernández. 

“Não pretendo parabenizá-lo. Agora não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver qual a posição real dele na política. Porque ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo, e vamos ver qual linha que ele vai adotar”, afirmou na segunda (28).

No dia da votação, Fernández postou uma foto em uma rede social fazendo o sinal de Lula Livre, o que Bolsonaro considerou uma afronta à democracia.

Desde o começo de maio, o brasileiro apoiou abertamente a candidatura à reeleição de Mauricio Macri, e apelou à população argentina para que não votasse na esquerda. 

Antes da visita oficial de Bolsonaro à Argentina, em junho, o vice Hamilton Mourão disse que uma possível volta do kirchnerismo preocupava o governo, pois poderia trazer problemas de relacionamento entre os países.

Desde que assumiu o governo, em janeiro, Bolsonaro tenta passar ao cenário internacional uma imagem de proximidade com Trump. Ele já foi aos EUA três vezes e pensa encerrar 2019 com uma quarta visita.

A ideia seria reforçar a imagem de parceria com o norte-americano no momento em que se intensifica o isolamento do Brasil na condução de sua política externa.

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