Candidatos pró-democracia vencem eleições locais em Hong Kong

Pleito tem comparecimento recorde de eleitores, em meio a onda de protestos

Hong Kong | AFP e Reuters

Candidatos pró-democracia venceram as eleições locais em Hong Kong, neste domingo (24), que tiveram comparecimento recorde de eleitores.

O pleito é visto como um teste para a chefe-executiva, Carrie Lam, pró-Pequim, alvo da onda de protestos que sacode a região há seis meses. 

Por volta das 5h (18h no horário de Brasília), a frente pró-democracia havia conquistado a maioria dos assentos nos conselhos de planejamento urbano, ao menos 283, contra 32 da ala pró-Pequim, segundo a mídia local.

Esses órgãos costumam ser dominados por um bloco de políticos alinhados a Pequim.

Estavam em disputa 452 cargos em 18 distritos. Os eleitos lidarão com questões como coleta de lixo e planejamento urbano.

Outro recorde foi o número de cidadãos que votaram. Geralmente, esse pleito não desperta a atenção da população. 

Segundo Barnabus Fung, chefe de assuntos eleitorais, ao menos 2,94 milhões de eleitores compareceram (71% dos inscritos). Há quatro anos, o número foi de 1,47 milhão.

No total, 4,13 milhões de pessoas se registraram para votar —de uma população de 7,3 milhões—, aumento de 400 mil em relação ao pleito realizado quatro anos atrás.

Essa votação é a mais próxima de uma eleição direta que existe em Hong Kong.

Por toda a cidade, longas filas se formaram em frente aos locais de votação. Não houve episódios de violência.

Moradores em Hong Kong fazem fila para votar em eleições para conselho local - Vivek Prakash/AFP

O território vive uma situação excepcional e atravessa a pior crise política desde o retorno da ex-colônia britânica ao controle da China, em 1997, com manifestações e ações cada vez mais violentas para exigir reformas democráticas.

Depois de seis meses de protestos nas ruas, os manifestantes pró-democracia queriam aproveitar a oportunidade incomum de se expressar nas urnas para reduzir o domínio chinês e dar um novo impulso à mobilização.

"Espero que essas eleições permitam que sejamos mais ouvidos dentro dos conselhos", disse o estudante Michael Ng, 19, que votou pela primeira vez em sua vida.

"Embora meu voto não seja grande coisa, espero que permita mudanças na sociedade e ajude a apoiar as manifestações", afirmou.

Alguns cientistas políticos afirmam acreditar que uma alta participação pode favorecer a causa pró-democracia, que tem feito desta consulta uma espécie de referendo contra a chefe do Executivo local, Carrie Lam, e seu governo pró-Pequim, que rejeitam qualquer concessão aos manifestantes.

"Estamos votando para dar nossa opinião sobre o que acontece (...) Também estamos votando para escolher o que está por vir", disse Jimmy Sham, candidato pró-democracia e figura de destaque no movimento de protestos.

Nas últimas semanas, o governo disse que as eleições poderiam ser adiadas se a violência persistisse nas ruas.

De fato, as manifestações reduziram nos últimos dias, uma estratégia com vista às eleições. 

Trata-se, no entanto, de uma trégua relativa, à medida que o cerco da Universidade Politécnica continua, com manifestantes radicais entrincheirados e que no fim de semana passado foi palco dos confrontos mais violentos com as forças de segurança desde o início dos protestos, em junho.

Nesta manhã, policiais foram destacados para atuar próximo a alguns locais de votação. Durante as primeiras horas da votação, nenhum ato violento foi registrado.

"Fico feliz em dizer que temos um ambiente relativamente calmo e pacífico para realizar essas eleições corretamente", disse Lam após votar.

O movimento de protesto começou em rejeição a um projeto de lei para autorizar extradições para a China continental.

O texto foi abandonado, mas os manifestantes ampliaram suas demandas, cobrando o sufrágio universal para eleger as autoridades de Hong Kong e uma investigação independente sobre a violência policial.

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