Descrição de chapéu Governo Trump

Embaixador dos EUA para a UE muda depoimento e confirma toma lá dá cá com a Ucrânia

Sondland disse que verba para o país só seria liberada caso Kiev investigasse rival político de Trump

Washington | Reuters

Em uma reversão de seu depoimento em 17 de outubro, o embaixador dos EUA para a União Europeia, Gordon Sondland, afirmou saber que o governo Trump reteve uma ajuda militar para a Ucrânia para pressionar o país a investigar um rival político do presidente, o democrata Joe Biden.

E tem mais: o montante só seria liberado caso a Ucrânia declarasse publicamente a investigação de Biden e seu filho Hunter.

A revelação de uma das figuras-chave do inquérito de impeachment contra Donald Trump foi feita na segunda (4), em um depoimento complementar registrado em quatro páginas e divulgado nesta terça (5).

Com esse anexo, Sondland contradiz seu testemunho anterior: inicialmente, ele afirmou desconhecer qualquer ligação entre a verba congelada e o pedido de investigação.

O que o fez mudar de ideia foi o depoimento de um outro oficial, Bill Taylor, encarregado de negócios da embaixada dos EUA na Ucrânia, que já havia divulgado essas informações, contando que as ouviu do próprio Sondland.

Gordon Sondland, embaixador dos EUA para a União Europeia, chega a sede do governo americano, em Washington
Gordon Sondland, embaixador dos EUA para a União Europeia, chega a sede do governo americano, em Washington - Saul Loeb/AFP

Esta foi a primeira vez que uma figura do alto escalão, que tinha contato direto com Trump, assumiu que a verba estava condicionada à investigação de Joe Biden.

Sondland, que fez fortuna no setor de hotelaria do Oregon, foi um dos principais doadores da campanha à Presidência do republicano. Ele não era um diplomata de carreira e ganhou o cargo de embaixador na UE como forma de recompensa pelas suas colaborações.

Trump sempre defendeu que não fez nada de errado e que não houve troca de favores com a Ucrânia. Ele acusa os democratas de atacá-lo injustamente: o inquérito do impeachment seria uma tentativa de rever o resultado das eleições presidenciais de 2016.

Por outro lado, o anexo do depoimento de Sondland deve complicar a tarefa dos republicanos em defender o presidente no processo de impeachment. Até agora, o partido manteve o apoio a Trump.

A investigação de comitês da Câmara dos Deputados está focada em um telefonema de 25 de julho, no qual Trump pediu ao presidente ucraniano Volodimir Zelenski para abrir uma investigação sobre o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden e seu filho Hunter Biden

Hunter fazia parte do conselho de uma empresa de gás ucraniana que havia sido investigada por acusações de corrupção. Já Biden pai é um dos principais candidatos à indicação do Partido Democrata para concorrer contra Trump nas eleições de novembro de 2020.

Antes do telefonema a Zelenski, o presidente congelou quase US$ 400 milhões em assistência militar, gerando acusações dos democratas de que ele usara o dinheiro dos contribuintes —destinado a um aliado vulnerável dos EUA— para obter ganhos pessoais.

Os democratas também divulgaram ao público nesta terça o depoimento de Kurt Volker, ex-enviado especial dos EUA para a Ucrânia, que havia sido feito a portas fechadas no dia 3 de outubro.

Testemunhas afirmaram que Volker, Sondland e o secretário de Energia Rick Perry eram conhecidos como os "três amigos", responsáveis pelo canal não oficial de Trump com o governo da Ucrânia.

Perry, um ex-governador do Texas que programou sua saída do cargo no governo Trump para 1º de dezembro, recusou-se a testemunhar até agora.

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