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França se torna o primeiro destino de migrantes em busca de asilo na Europa

País ultrapassa Alemanha ao registrar maior número de solicitações no continente

RFI

Pela primeira vez desde o início da crise migratória em 2015, a França ultrapassou a Alemanha e se tornou o primeiro país em números de pedido de asilo na Europa, anunciou nesta quinta-feira (21) em Paris o ministro do Interior francês, Christophe Castaner.

Há apenas quatro anos, no auge da crise, alimentada pelo conflito civil sírio, a França registrou 80.075 pedidos de asilo, de acordo com os números do Ofpra, órgão que concede o status de refugiado na França.

A Alemanha recebeu por volta de 890.000 solicitações, cerca de dez vezes mais do que os pedidos endereçados aos franceses.

No entanto, nesta quinta, "a França se tornou o primeiro país em volume de requerentes de asilo na Europa desde 20 de outubro, embora a imigração na Europa continue a diminuir, o que é uma anomalia estatística", disse Castaner após uma entrevista sobre cooperação migratória com seu colega da Geórgia, Vakhtang Gomelauri.

Segundo uma fonte do ministério do Interior francês, 120.900 pedidos foram registrados na França em 17 de novembro, contra 119.900 na Alemanha.

No ano passado, 184.000 pessoas pediram asilo na Alemanha contra 123.000 na França.

Essa reversão é explicada, em particular, pelo fato de a França receber pedidos de recuperação de asilo. Migrantes que falharam em conseguir refúgio em outros lugares apresentam uma segunda solicitação no país, segundo uma fonte. 

Para reverter a tendência e diminuir o número de pedidos de asilo, que deve aumentar de 10% a 15% em 2019 na França, de acordo com outra fonte do mesmo ministério, o governo francês propôs várias medidas no início de novembro como parte de seu plano para a imigração.

Um mês após um debate parlamentar desejado pelo presidente Emmanuel Macron, no centro do qual estava o pedido de asilo, o governo propôs acelerar o processamento dessas solicitações, a fim de introduzir um período de carência de três meses no acesso à Seguridade Social para requerentes de asilo, ou para tomar medidas de expulsão no caso de recusa do processo pela Ofpra, sem esperar pelo estudo de um possível recurso.

"Essas são mensagens que queremos enviar a estrangeiros para mostrar que a França deseja prolongar e elevar em voz alta a necessidade de proteção, mas para as pessoas que devem ser protegidas, não para as pessoas que desejam se aproveitar do direito de proteção" disse Castaner.

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