Israel mata líder do grupo Jihad Islâmica, e palestinos revidam com mísseis

Houve disparo de alertas em cidades como Tel Aviv; há temores de escalada de tensão na região

Gaza | AFP

O Exército de Israel matou nesta terça-feira (12), na Faixa de Gaza, um líder militar do grupo palestino Jihad Islâmica. Em resposta, militantes responderam com diversos disparos de mísseis contra o território israelense, o que provoca o temor de uma escalada de tensão na região.

As sirenes de alarme foram acionadas em várias cidades de Israel, incluindo Tel Aviv, onde aulas em escolas e universidades foram suspensas.

Bombeiro combate incêndio gerado por foguete disparado por palestinos, em Sderot, Israel - Ahmad Gharabli/AFP

Além da ação à casa do comandante Baha Abu Al Ata, 42, cuja morte foi confirmada por líderes palestinos, o Exército de Israel também fez um ataque à residência de Akram Ajuri, líder político da Jihad Islâmica em Damasco, e matou um de seus filhos, Muadh, segundo a imprensa síria. 

O grupo, então, retaliou Israel. De acordo com comunicado enviado pela embaixada de Israel no Brasil, 160 foguetes foram lançados contra o país a partir da Faixa de Gaza, território controlado há mais de dez anos pelo movimento islamita Hamas e submetido ao bloqueio israelense.

"Nossa mensagem ao Hamas e à Jihad Islâmica palestina é que não buscamos uma escalada, mas estamos preparados para cenários defensivos e ofensivos", declarou o porta-voz do Exército israelense, Jonathan Conricus. "Esperamos vários dias de confrontos."

Israel afirmou que Abu Al Ata era o responsável por vários disparos de mísseis contra Israel a partir do território palestino e, de acordo com os comandantes militares israelenses, ele estaria preparando ataques e operações com mísseis, franco-atiradores, drones e combatentes.

"Ele era responsável por vários ataques terroristas, por lançamentos de mísseis contra o Estado de Israel nos últimos meses e tinha a intenção de cometer ataques iminentes", declarou o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, antes de informar que a operação foi aprovada pelo gabinete de segurança.

A embaixada de Israel no Brasil ainda afirma que a ação teve caráter antiterrorista e defensiva e que mais de um milhão de civis israelenses estão em abrigos antiaéreos. Ainda de acordo com o informe enviado pela representação diplomática, desde as 5h (no horário local) paramédicos israelenses socorreram um total de 39 pessoas, entre as quais duas foram atingidas por estilhaços de foguetes.

Os confrontos contrastam com a relativa calma das últimas semanas ao longo do muro que separa a Faixa de Gaza de Israel.

A última vez em que mísseis palestinos foram lançados e ataques aéreos israelenses aconteceram foi em agosto, quando o temor de uma escalada entre Hamas e Israel, que entraram em guerra em três ocasiões desde 2008, reapareceu.

Antes dos ataques de agosto, Israel adiava a entrada dos milhões de dólares de ajuda que o Qatar entrega mensalmente às autoridades da Faixa de Gaza, no contexto de uma trégua negociada com a ONU, o Egito e o pequeno emirado do Golfo, que mantém relações próximas ao Hamas e contatos com Israel.

Em agosto, de acordo com os analistas, os disparos palestinos foram uma maneira de pressionar Israel a acelerar a entrada da ajuda do Qatar.

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