Envolvida em escândalo da Odebrecht, Keiko Fujimori sai da prisão no Peru

Líder da oposição e filha do ex-ditador Alberto Fujimori aguardará julgamento em liberdade

Lima | Reuters e AFP

Keiko Fujimori, líder da oposição ao governo do Peru e filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), deixou a prisão na noite desta sexta (29), após 13 meses detida por envolvimento no escândalo de subornos do grupo Odebrecht.

"Foi o evento mais doloroso da minha vida", disse Keiko ao deixar o cárcere e abraçar seu marido, Mark Vito Villanella.

A líder da oposição Keiko Fujimori acena a partidários depois de sair da prisão em Lima, no Peru
A líder da oposição Keiko Fujimori acena a partidários depois de sair da prisão em Lima, no Peru - Guadalupe Pardo/Reuters

O ítalo-americano Villanella realizava uma greve de fome há mais de duas semanas diante da prisão de Santa Mônica, ao sul de Lima, onde Keiko estava detida.

O Tribunal Constitucional do Peru aceitou na segunda (25) um recurso que pedia a libertação de Keiko. Segundo o TC, a líder do partido Força Popular poderá permanecer em liberdade enquanto corre o processo. 

Procuradores afirmam que Keiko liderou uma organização criminosa e recebeu US$ 1,2 milhão (R$ 5,07 milhões) em doações na forma de caixa dois para sua campanha à Presidência em 2011, quando foi derrotada por Ollanta Humala. 

Segundo a acusação, o dinheiro veio da construtora brasileira Odebrecht, que está no centro de um escândalo de corrupção que envolve vários países da América Latina.

O Peru é um dos países mais afetados pelo esquema da empreiteira brasileira, que admitiu ter pago ao menos US$ 29 milhões em subornos ao longo de três governos peruanos.

Keiko, que nega as acusações, é filha de Alberto Fujimori, que cumpre sentença por crimes contra os direitos humanos e corrupção. 

Sua saída da prisão acontece em um momento que o Peru se prepara para eleições legislativas em janeiro, depois que o presidente Martín Vizcarra dissolveu o Congresso em meio a uma batalha com parlamentares da oposição.

O partido de Keiko tinha a maioria no Congresso antes de ele ser diluído.

Keiko foi presa em 31 de outubro em 2018 de forma preventiva —o juiz do caso considerou haver risco de obstrução de Justiça e de fuga, já que ela tem cidadania japonesa e americana, por ser casada com um estrangeiro. 

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