Leia perguntas e respostas sobre como fica a Bolívia após renúncia de Evo

Presidente Evo Morales renunciou no domingo, e país ficou com um vácuo de poder

São Paulo

ex-presidente Evo Morales renunciou neste domingo (10) junto com outros membros de seu governo, o que deixou o país em um vácuo de poder e numa situação de incerteza em relação ao que ocorrerá a seguir. Leia perguntas e respostas sobre o processo. 

Quem governa a Bolívia atualmente?

No momento, ninguém. Pela Constituição, a sucessão começa com o vice-presidente, seguido pelo presidente do Senado e depois pelo titular da Câmara dos Deputados, mas todos renunciaram com Evo. O país está, portanto, em um vácuo de poder.

O que estabelece a Constituição nesse caso?

A Carta boliviana determina apenas que em caso de “impedimento ou ausência definitiva” do presidente, do vice-presidente e do presidente do Senado, deverá assumir o chefe da Câmara dos Deputados e eleições precisam ser convocadas em até 90 dias. Ou seja, não diz o que acontece quando o líder da Câmara também pede demissão. 

Que possibilidades estão sendo cogitadas?

Uma das interpretações é que quem deve assumir é a vice-presidente do Senado, a opositora Jeanine Añez —ela já disse estar preparada para isso e prometeu organizar novas eleições. Outra possibilidade seria que a Assembleia Legislativa escolhesse novos presidentes do Senado e da Câmara.

Carlos Mesa, segundo colocado na última eleição, defendeu outro caminho: que os congressistas definam um governo transitório de consenso. Outro líder opositor, Luis Fernando Camacho, foi além e propôs prescindir da Assembleia Legislativa e convocar uma “junta de governo transitório” com personalidades do âmbito político e social para se encarregar de novas eleições em um prazo máximo de 60 dias.

Já a proposta do prefeito de La Paz, Luis Revilla, aliado de Mesa, é o Legislativo recompor o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) em 48 horas, por meio de uma lei de exceção —ao renunciar, Evo demitiu a cúpula do órgão. 

Quais serão os próximos passos?

Espera-se que a Assembleia Legislativa convoque uma sessão extraordinária para avaliar como será encaminhado o processo. A Assembleia também precisa oficializar a saída de Evo e dos outros políticos, já eles renunciaram por anúncios em meios de comunicação, e não de forma oficial. Segundo a imprensa local, ainda não há data definida para essa sessão.

Onde está Evo no momento?

A caminho do México, onde será asilado. O governo mexicano anunciou já ter recebido 20 integrantes do Legislativo e do Executivo da Bolívia em sua embaixada em La Paz. 

Quantos políticos renunciaram?

Em menos de 48 horas, ao menos 17, incluindo senadores, governadores, vice-ministros e prefeitos de cidades importantes, como Sucre, Oruro e Potosí. 

Em uma nova eleição, Evo será candidato?

Antes de renunciar, Evo disse não saber se participaria do pleito novamente. Para concorrer em outubro, ele já havia recorrido a uma manobra jurídica, pois uma quarta reeleição vai de encontro ao estabelecido na Constituição do país. Opositor de Evo, Carlos Mesa sustentou que nem o ex-presidente nem o vice dele, Álvaro García Linera, poderão concorrer.

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