Milhares protestam pacificamente em segunda greve geral na Colômbia

Reunião entre líderes e governo terminou sem resultados na terça (26)

Bogotá | AFP e Reuters

Atendendo à segunda convocação de greve geral, milhares de colombianos se reuniram em diversas cidades do país em protesto contra o governo do presidente Iván Duque nesta quarta (27).

Não há estimativas oficiais sobre o número de participantes, mas as concentrações são bem menores do que as registradas na primeira greve, que levou 250 mil colombianos às ruas na quinta (20).

A marcha, que marca o sétimo dia consecutivo de manifestações, foi convocada após a reunião das centrais sindicais com o mandatário no dia anterior não trazer resultados satisfatórios, segundo os líderes. 

Grande marcha em Cali contra o presidente Iván Duque - Luis Robayo/AFP

Os manifestantes protestam contra propostas econômicas —como o aumento da idade da aposentadoria e o corte do salário mínimo para os jovens— que o presidente Iván Duque nega apoiar.

Também são criticados a falta de ação do governo no combate à corrupção e os assassinatos de centenas de ativistas de direitos humanos. 

As marchas foram pacíficas em Cali, Barranquilla e Cartagena, mas houve episódios de destruição de estações de transporte público em Bogotá.

Em Pereira, os ativistas entraram em confronto com a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo. Duas pessoas ficaram feridas.

Em vários momentos, os ativistas prestaram homenagens ao estudante Dilan Cruz, 18, que morreu depois de ser atingido na cabeça por um cartucho de gás lacrimogêneo disparado pela polícia de choque, chamada Esmad (Esquadrão Móvel Antidistúrbio). "Dilan não morreu, Dilan foi morto", cantavam os manifestantes.

O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, afirmou a jornalistas que o Esmad só voltaria a ser acionado em caso de distúrbios.

Parte da força podia ser vista na sede do Congresso e em outras áreas da capital, mas os agentes não participavam ativamente do policiamento dos protestos.

Desde o início dos protestos, os confrontos com as forças de segurança deixaram quatro mortos e mais de 2.800 feridos.

O Comitê Nacional de Greve, formado por grandes sindicatos e organizações estudantis, exige que o governo dissolva a força e "purifique a polícia".

A polícia nacional divulgou imagens, algumas tiradas de câmeras de segurança, que mostram rostos de manifestantes considerados vândalos.

"Ajude-nos a identificá-los, Bogotá", diz o cartaz no qual a corporação oferece recompensas de até três milhões de pesos (cerca de R$ 3.400). 

A reunião entre o Comitê Nacional de Greve e o governo estancou em meio às demandas sindicais de que o presidente se reunisse com eles sem a presença de líderes empresariais ou outros grupos. 

A entidade também defende a rejeição de um projeto de reforma fiscal que inclui a redução de impostos para empresas.

Duque anunciou nesta semana um pacote de mudanças na proposta que custará em torno de US$ 930 milhões (R$ 3,65 milhões).

Entre as medidas divulgadas pelo governo, estão a restituição do imposto sobre valor agregado aos 20% mais pobres da população e a redução das contribuições ao sistema de saúde por aposentados que recebem um salário mínimo.

No entanto, sua promessa de realizar um diálogo nacional com foco nas queixas levantadas tem atraído críticas dos manifestantes e de políticos da oposição, que o consideram uma resposta tímida à crescente insatisfação popular. 

O governo da Colômbia tem o apoio dos Estados Unidos no enfrentamento dos protestos, disse a Duque o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em um telefonema nesta quarta.

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