Família americana de mórmons sofre emboscada e morre em massacre no México

Parentes suspeitam de traficantes que agem na região; Trump oferece ajuda para combater os cartéis

Cidade do México | AFP e Reuters

Três mulheres e seis crianças de uma comunidade mórmon americana instalada no norte do México há mais de um século foram assassinados na segunda-feira (4) por um grupo de homens armados.

O caso gerou reações no país, que registrou aumento nos casos de violência nas últimas semanas, e amplia a pressão para que o governo de Andrés Manuel López Obrador dê uma resposta mais efetiva na área da segurança. 

Julián Lebarón, líder mórmon e ativista, afirma que seus familiares foram mortos por criminosos que agem na região de Rancho de la Mora, na divisa entre os estados de Sonora e Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos.

Destroços de carro queimado onde as vítimas foram encontradas - Kenneth Miller/Lafe Langford Jr/Reuters

A família viajava em três carros. "Minha prima Rhonita seguia para o aeroporto de Phoenix [nos EUA] quando foi emboscada. Atiraram e queimaram sua caminhonete com ela e seus quatro filhos",  disse Lebarón à Rádio Fórmula. "Foi um massacre."

Rhonita estava indo buscar seu marido, que vive no estado de Dakota do Norte, também nos Estados Unidos. Juntos, eles iriam celebrar seu aniversário de casamento.

No caminho, ela foi morta ao lado dos filhos: um garoto de 11 anos, uma menina de nove e dois bebês gêmeos que ainda não tinham completado um ano de idade.

O veículo foi incendiado com todos os passageiros dentro. Os corpos de Rhonita e das quatro crianças foram encontrados em meio às cinzas que sobraram do automóvel.

Cerca de 12 km à frente na estrada, outro carro da família foi atacado. Nele estavam duas mulheres, um garoto de quatro anos e uma menina de seis. Todos foram mortos. 

Segundo Barón, uma das mulheres saiu do carro com as mãos para cima, mas, mesmo assim, foi baleada no peito.

O destino do terceiro carro não foi informado. Outras sete crianças que viajavam com a família conseguiram escapar e sobreviveram. Algumas delas conseguiram caminhar até sua casa —uma delas foi atingida por um tiro, mas não há informações sobre seu estado de saúde.

Durante a noite, a comunidade mórmon, policiais e militares procuravam uma menor de idade que teria se escondido em um bosque.

As razões para o crime não estão claras. Não se sabe se o ataque à família foi deliberado ou se os carros foram confundidos com outros alvos. Os governos de Sonora e Chihuahua disseram que uma investigação foi iniciada, sem dar detalhes.

No entanto, há dez anos, dois integrantes da mesma família foram sequestrados e mortos por denunciarem a ação de grupos criminosos na região. 

Lebarón disse que "aqui é uma zona de guerra" onde "agem os cartéis das drogas e todo tipo de matador".

Ele faz parte de uma comunidade de mórmons que se transferiu para o México no final do século 19, em meio à perseguição nos Estados Unidos por suas tradições, em especial a poligamia, praticada por parte de seus seguidores na época. 

O aumento dos índices de violência no México está na pauta do país —principamente os eventos ligados ao narcotráfico. O presidente Andrés Manuel López Obrador vem sendo cobrado a dar uma resposta mais efetiva.

Em outubro, 14 policiais foram mortos em uma emboscada na região de Michoacán.

No mesmo mês, o governo foi forçado por criminosos a soltar um dos filhos do megatraficante El Chapo, que cumpre pena nos EUA. 

Ovídio Guzmán havia sido capturado em uma operação mal-executada e foi liberado horas depois. Houve confronto entre policiais e traficantes na cidade de Culiacán.

Após o ataque aos carros dos mórmons, o governo mexicano enviou militares para a região. E o presidente americano, Donald Trump, também ofereceu ajuda. 

“Se o México precisar ou pedir ajuda para se livrar desses monstros, os EUA estão prontos, dispostos e aptos a se envolver e a fazer o trabalho de forma rápida e eficiente”, publicou ele em uma rede social. “Os cartéis se tornaram tão grandes e poderosos que você precisa às vezes de um exército para derrotar um exército.”

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