Maioria dos tuítes de Trump traz ataques, aponta levantamento do NYT

Tuítes do presidente trazem também elogios a ele mesmo e mensagens extremistas

The New York Times

Donald Trump explorou a rede social como nenhum outro presidente dos Estados Unidos, usando-a como trampolim para modificar políticas, como golpe contra os críticos e como canal de autoafirmação.

"Ele precisa tuitar assim como nós precisamos comer", disse Kellyanne Conway, sua advogada na Casa Branca.

Ao longo do caminho, ele deu credibilidade a contas desagradáveis no Twitter, com seu hábito de retuitar posts que chamam sua atenção, aparentemente sem levar em consideração quem está por trás deles ou seus motivos.

O presidente Donald Trump fala com jornalistas no jardim da Casa Branca - Olivier Douliery - 3.nov.2019/AFP

Em três artigos, o New York Times analisou as postagens de Trump, estudou as contas que ele segue e entrevistou dezenas de funcionários do governo, legisladores, executivos do Twitter e americanos comuns apanhados em seus tuítes. Aqui estão algumas de nossas conclusões.

Ataque, ataque, ataque - com uma exceção notável

Mais da metade dos mais de 11 mil tuítes do presidente são ataques dirigidos a tudo e a todos, desde a investigação na Rússia e o Federal Reserve até jogadores de futebol negros e o fundador da Amazon, Jeff Bezos. Mas em mais de 2.000 tuítes Trump citou uma pessoa para elogios: ele próprio.
 

A equipe do presidente queria que seus tuítes fossem atrasados 15 minutos

No início da Presidência Trump, segundo soube o New York Times, os principais assessores dele discutiram pedir ao Twitter que impusesse um atraso de 15 minutos à sua conta, não muito diferente do sistema de cinco segundos usado pelas redes de televisão para evitar palavrões. Mas eles rapidamente abandonaram a ideia depois de reconhecerem o perigo político caso a ideia vazasse para a imprensa —ou para seu chefe.
 

Serviços de inteligência estrangeiros tentam chamar a atenção dele

As contas do Twitter vinculadas a operações de propaganda patrocinadas pelo Estado na China, no Irã e na Rússia direcionaram milhares de posts para Trump. As contas frequentemente promoviam teorias da conspiração ou apoiavam as políticas de Trump. Uma delas escreveu: "Nós amamos você, Sr. Presidente!". Trump a retuitou.
 

Os retuítes de Trump deram força aos extremistas

O presidente retuitou pelo menos 145 contas não verificadas que divulgam conteúdo conspiratório ou extremista, incluindo mais de duas dúzias que depois foram suspensas pelo Twitter. Entre os perfis estão nacionalistas brancos, fanáticos anti-muçulmanos e adeptos do QAnon, uma teoria da conspiração que envolve pedófilos satânicos e o "Estado profundo", cujos seguidores foram rotulados de potencial ameaça terrorista doméstica pelo FBI.
 

Ele não segue de volta

Grande parte do material questionável que Trump recircula vem do fluxo constante de tuítes, cerca de mil por minuto, que marcam seu perfil. Mas também vem do pequeno número de contas que Trump segue e que compõem seu feed de notícias —apenas 47 atualmente, a maioria delas de membros de sua família, celebridades, apresentadores da Fox News ou políticos republicanos. Algumas dessas pessoas, por sua vez, seguem contas no Twitter que promovem o QAnon, expressam atitudes anti-islâmicas ou adotam visões racistas.

Você provavelmente nunca o viu tuitar em público

Isso porque ele não gosta de usar os óculos de leitura de que precisa para ver a tela do iPhone. Em vez disso, o presidente dita tuítes para Dan Scavino, diretor de rede social da Casa Branca. Às vezes, Scavino imprime tuítes sugeridos em fontes bem grandes para Trump assinar.
 

As manhãs são para tuitar

O hábito de Trump no Twitter é mais intenso no início do dia, quando ele está na residência da Casa Branca, frequentemente assistindo à Fox News, percorrendo as menções a ele no Twitter e transformando a plataforma no que um assistente chamou de "arma definitiva de disseminação em massa". Quase a metade de seus "tuítes de ataque" foi enviada entre 6h e 10h, tempo que o presidente geralmente passa sem a presença de assessores.
 

Nós lemos todos os tuítes presidenciais já postados

O presidente se gabou 183 vezes do tamanho da multidão ou dos aplausos nos eventos; atacou imigrantes 570 vezes; elogiou ditadores 132 vezes; e chamou a mídia de "inimigo do povo" 36 vezes. Em 16 ocasiões, Trump chamou a si mesmo de "presidente favorito" de todo mundo.
 

Twitter não é a vida real

De acordo com dados do YouGov, que faz pesquisas sobre cada tuíte do presidente, alguns dos tópicos de que Trump mais gosta e retuíta —socos nos jogos de futebol americano, postagens sobre a investigação do procurador especial, alegações infundadas de fraude eleitoral generalizada— são pouco apreciados pelo público em geral.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves.

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