Descrição de chapéu The Wall Street Journal Governo Trump

Parceiros de advogado de Trump pediram investigação sobre Bidens a ex-presidente da Ucrânia

Encontro aconteceu meses antes de o presidente pressionar o novo líder ucraniano a investigar Hunter Biden

Rebecca Ballhaus Alan Cullison Brett Forrest
Washington e Kiev | The Wall Street Journal

Meses antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionar o recém-instalado líder ucraniano para investigar o filho de Joe Biden e as denúncias de interferência nas eleições americanas de 2016, dois amigos de Rudy Giuliani pediram ao então presidente ucraniano para iniciar essas investigações em troca de uma visita de Estado a Washington, segundo pessoas inteiradas do caso.

Uma reunião no final de fevereiro em Kiev, capital da Ucrânia, entre Lev Parnas, Igor Fruman e o então presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ocorreu nos gabinetes do ministro da Justiça ucraniano, Yuriy Lutsenko, disseram essas pessoas.

Foi logo depois de Parnas e Fruman se encontrarem com Lutsenko e Giuliani, advogado pessoal do presidente Trump, em Nova York no final de janeiro e novamente em Varsóvia (Polônia) em meados de fevereiro, segundo já afirmou Giuliani.

lev parnas fala a imprensa
O empresário Lev Parnas, parceiro do advogado de Trump, fala após depor à Justiça em Nova York - Eduardo Munoz - 23.out.2019/Reuters

Lutsenko também participou da reunião no final de fevereiro, disseram as pessoas. Poroshenko afinal não anunciou que iria abrir essas investigações.

Mas o ministro da Justiça deu uma entrevista ao site The Hill em março, na qual disse que iria iniciar uma investigação sobre suposta interferência de ucranianos nas eleições de 2016 nos EUA.

Ele também disse ter provas que queria apresentar ao Departamento de Justiça dos EUA relacionadas ao ex-vice-presidente Joe Biden e ao Burisma Group, empresa de gás ucraniana da qual o filho de Biden, Hunter, era diretor. Dois meses depois, em entrevista à Bloomberg, Lutsenko disse que não tinha evidências de irregularidades por parte dos Biden.

A reunião, que não foi relatada anteriormente, mostra que os amigos do advogado pessoal de Trump no início de fevereiro pressionaram o presidente da Ucrânia a abrir investigações que poderiam beneficiar Trump politicamente, em troca de uma visita do ucraniano à Casa Branca.

Nenhum encontro na Casa Branca resultou dessas conversas. Poroshenko perdeu sua candidatura à reeleição para Volodimir Zelenski, a quem Trump pediu num telefonema em julho para investigar os Biden, além de discutir outros assuntos.

Poroshenko estava na época em uma disputa apertada à reeleição e havia manifestado a assessores seu interesse em visitar Washington. Uma visita à Casa Branca poderia ter aumentado suas chances com os eleitores ucranianos, porque aumentaria seu prestígio, e ele estava aberto à ideia proposta pelos associados de Giuliani, disse uma das fontes.

Segundo essa fonte anônima, Poroshenko queria vir a Washington se encontrar com Trump e, depois do banquete de Estado, daria uma entrevista a uma grande agência de notícias. "Então ele diria que investigaria a interferência [na eleição] de 2016 e os Biden."

Robert Costello, advogado de Giuliani, disse que seu cliente não tinha conhecimento da reunião. Os representantes de Poroshenko e Lutsenko não responderam a pedidos de comentários. Os advogados de Parnas e Fruman se recusaram a comentar. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.

Parnas e Fruman eram clientes de Giuliani, que o ajudaram em seu esforço durante um mês para conseguir investigações na Ucrânia. John Dowd, ex-advogado de ambos, disse em uma carta ao Congresso no mês passado que os dois "ajudaram Giuliani em conexão com sua representação do presidente Trump".

Giuliani afirmou que seus esforços na Ucrânia foram em nome do presidente, "feitos apenas como advogado de defesa para defender meu cliente contra falsas acusações".


Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.