Pré-candidatos democratas atacam política externa de Trump em debate

Estilo personalista e impulsivo do presidente americano foi alvo de críticas

São Paulo

Os pré-candidatos que disputam a nomeação do Partido Democrata para a eleição de 2020 fizeram das perguntas sobre política externa oportunidades para atacar decisões do presidente Donald Trump durante o debate desta quarta-feira (20).

A senadora Kamala Harris, da Califórnia, afirmou que o republicano "caiu numa pegadinha" ao abrir um canal de diálogo com o ditador Kim Jong-un.

"Ele trocou uma foto de promoção por nada", disse ela, criticando o fato de que o presidente se reuniu com o norte-coreano várias vezes e não extraiu nenhum ganho político concreto desses encontros.

Os pré-candidatos democratas que participaram do debate de quarta (20): Cory Booker (D-NJ), Tulsi Gabbard, Amy Klobuchar, Pete Buttigieg, Elizabeth Warren, Joe Biden e Bernie Sanders
Os pré-candidatos democratas durante o debate desta quarta (20): Cory Booker, Tulsi Gabbard, Amy Klobuchar, Pete Buttigieg, Elizabeth Warren, Joe Biden e Bernie Sanders - Alex Wong/Getty Images/AFP

"[Trump] tem conduzido uma política externa, desde o primeiro dia no governo, nascida a partir de um ego muito frágil", afirmou a senadora, depois de pedir desculpas pelo tom de suas declarações. 

Harris também enfatizou o fato de que os Estados Unidos são respeitados ao redor do mundo porque "somos fiéis à nossa palavra, somos consistentes, nós falamos a verdade e somos leais" —uma referência ao tratamento que o governo Trump vem dando a aliados tradicionais dos EUA.

Desde que assumiu a Presidência, o republicano tem feito críticas aos demais membros da Otan, se afastado de atores importantes, como a Alemanha. Mais recentemente, traiu os curdos na Síria, abrindo caminho para uma invasão turca no país. 

Em suas respostas, o ex-vice-presidente Joe Biden concordou com a senadora quanto aos resultados das tratativas com a Coreia do Norte. "[Trump] nos isolou da Coreia do Sul e deu tudo o que Kim queria, criando uma legitimidade ao se encontrar com ele."

Bernie Sanders, senador por Vermont, destacou os métodos pouco usuais de condução de política externa usados pelo presidente. 

"Penso que é tempo de parar de gastar trilhões de dólares nessas 'guerras intermináveis' [...] e de trazer nossos soldados para casa. Mas, ao contrário de Trump, não farei isso por meio de um tuíte às três horas da madrugada", disse, enquanto recebia aplausos da plateia. 

Um dos pontos mais populares da plataforma "América em primeiro lugar", de Trump, é justamente por fim ao envolvimento militar em conflitos no exterior. Durante sua campanha, o presidente prometeu retirar o país das "guerras intermináveis", termo cunhado por ele.

No entanto, até o momento, o governo não realizou avanços significativos nesse sentido. 

Sanders também usou a ocasião para se distinguir dos demais pré-candidatos, principalmente de Biden, o atual líder das pesquisas de intenção de voto, visto como uma opção mais tradicional dentro do partido.

"Biden apoiou a terrível Guerra do Iraque, e eu ajudei a liderar a oposição a ela", disse. 

A pré-candidata Tulsi Gabbard, deputada pelo Havaí, também teve suas posições de política externa criticadas durante o debate.

"Gabbard erra ao não chamar um criminoso de guerra pelo que é ele", disse Harris, em uma referência ao fato de que a deputada se reuniu com o ditador sírio Bashar al-Assad.

Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, no estado de Indiana, se juntou à senadora. "Eu não teria me reunido com um ditador assassino."

Gabbard respondeu afirmando que, se eleito, Buttigieg não teria a coragem necessária para "se reunir com tanto adversários e amigos, para garantir a paz e a segurança nacional" dos EUA. 

Ambos são veteranos das Forças Armadas: Gabbard serviu no Iraque, e Buttigieg, no Afeganistão. 

Os demais candidatos —Elizabeth Warren, Amy Klobuchar e Cory Booker— não receberam perguntas específicas sobre política externa, e, portanto, não aprofundaram suas propostas. 

Pela primeira vez, candidatos debatem mudanças climáticas

Antes do início do debate desta noite, o jornal americano The New York Times relatou que o combate às mudanças climáticas foi o tema que seus leitores mais gostariam de ver abordado pelos pré-candidatos.

Pela primeira vez, a questão foi amplamente debatida. O empresário Tom Steyer, que lançou sua campanha apenas em julho, disse ser o único dos presentes a ter a crise climática como prioridade número um de sua campanha. 

O tom geral foi de consenso quanto à necessidade de tratar o problema de forma urgente e do desafio de engajar membros do Partido Republicano —muitos deles negam que as mudanças climáticas sejam causadas pela ação humana, e rejeitam a pauta completamente. 

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