Regime chinês afirma ter autoridade sobre Constituição de Hong Kong

Corte do território julgou inconstitucional medida adotada pelo governo pró-Pequim

Pequim | AFP

O regime chinês afirmou que seu órgão legislativo é a única autoridade competente para interpretar e decidir sobre a Constituição de Hong Kong

O gesto, visto como uma crítica aberta ao Judiciário do território, é uma resposta à decisão da Alta Corte honconguesa de segunda-feira (18) que considerou inconstitucional a proibição do uso de máscaras em protestos.

O veto foi imposto em outubro pelo governo local, que é aliado de Pequim. Para justificá-lo, foi invocada uma lei do período colonial, quando Hong Kong estava submetido Reino Unido —desde 1999, o território é uma região semiautônoma da China. 

"A decisão da Alta Corte de Hong Kong prejudica seriamente a capacidade de governar dos chefes do Executivo local", disse Jian Tiewei, porta-voz da Comissão de Assuntos Legislativos do Congresso chinês, de acordo com a imprensa estatal. 

A autonomia jurídica é justamente uma das principais demandas dos manifestantes que ocupam as ruas do território desde junho desde ano.

Os atos, que inicialmente tiveram como alvo um projeto de lei que possibilitaria a extradição de cidadãos honcongueses ao continente para julgamento, tornou-se um movimento mais amplo, com forte caráter anti-China.

Ainda nesta segunda, uma dúzia de manifestantes mascarados escapou de forma dramática da Universidade Politécnica, que está cercada pela polícia desde sábado (16). Usando mangueiras de plástico, eles desceram de uma ponte até uma rodovia, onde motocicletas os aguardavam para levá-los do local. A polícia tentou impedi-los atirando balas de borracha. 

Manifestante anti-governo tenta deixar a Universidade Politécnica de Hong Kong, que está cercada pela polícia, descendo de uma ponte usando uma mangueira
Manifestante anti-governo tenta deixar a Universidade Politécnica de Hong Kong, que está cercada pela polícia, descendo de uma ponte usando uma mangueira - Reuters

O prédio da instituição, assim como os de outras universidades do território, se transformou em um ponto de concentração dos manifestantes, que são jovens em sua maioria. 

Embora o número de presentes nos atos tenha diminuído nas últimas semanas, a violência dos confrontos com as forças de segurança tem escalado. Na última segunda-feira (11), um policial atirou contra um manifestante durante um protesto que era transmitido ao vivo pelas redes sociais. 

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