Descrição de chapéu The New York Times

Rival de Netanyahu falha ao tentar formar governo, e Israel caminha para 3ª eleição em 1 ano

Benny Gantz anuncia fracasso de aliança antes mesmo de fim de prazo estabelecido por presidente

Jerusalém | Reuters, AFP e The New York Times

Benny Gantz, principal rival do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, não conseguiu formar um novo governo dentro do prazo estabelecido, o que aprofunda a crise política no país e aproxima Israel de uma terceira eleição em menos de um ano.

O partido Azul e Branco, de Gantz, anunciou o insucesso da negociação de uma aliança nesta quarta-feira (20), antes mesmo do fim do prazo de meia-noite dado pelo presidente de Israel, Reuven Rivlin.

Antes da tentativa do líder centrista, Netanyahu também havia fracassado na missão.

Benny Gantz, líder do Azul e Branco, durante anúncio em Tel Aviv
Benny Gantz, líder do Azul e Branco, durante anúncio em Tel Aviv - Amir Cohen/Reuters

Gantz, que foi chefe das Forças Armadas sob Netanyahu, buscou se apresentar ao eleitorado como uma figura unificadora. "Fizemos grandes esforços para formar um governo [...] que serviria a todos, religiosos e seculares, judeus e árabes", afirmou.

Durante o anúncio desta quarta, ele se dirigiu diretamente ao premiê em vários momentos, criticando o que ele considera uma insistência de Netanyahu de preservar seu bloco parlamentar, descrito por Gantz como ultrarreligioso e de extrema direita. 

Ele também acusou o adversário de tentar fomentar uma guerra civil ao culpar os legisladores árabes pelo impasse político. 

"O bem de Israel vem em primeiro lugar, antes de qualquer outra consideração", disse.

Estima-se que a realização de um novo pleito custará US$ 750 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões) aos cofres públicos, cifra próxima a um terço do déficit fiscal israelense.  

Gantz procurou atribuir ao primeiro-ministro a responsabilidade pela crise política. "O povo de Israel precisa de uma liderança de visão e não de imunidade", disse, aludindo aos esforços do partido Likud, de Netanyahu, para aprovar leis que possam protegê-lo das denúncias.

Para Netanyahu, não garantir um quinto mandato —ou alternar o comando de Israel com Gantz, em uma proposta de aliança nacional— pode aumentar sua vulnerabilidade a acusações de corrupção.

O primeiro-ministro é alvo de três investigações. A primeira apura se ele teria concedido benefícios à empresa de telecomunicações Bezeq, a maior do país, em troca de uma cobertura favorável de seu governo no site de notícias Walla. ​

Nos outros dois casos, o premiê é acusado de aceitar presentes de bilionários, como charutos e bebidas, no valor de US$ 264 mil, e de oferecer vantagens a um jornal também em troca de uma cobertura positiva. 

Ele nega todas as acusações e afirma ser vítima de uma caça às bruxas. 

Membros da legenda de Netanyahu stimam que a promotoria deve oferecer uma denúncia (ato formal que dá início ao processo penal) contra ele antes do fim do mês. A lei israelense não exige a renúncia ou afastamento de um primeiro-ministro nessa hipótese.

O aparente fracasso de Netanyahu ocorre apesar do amplo apoio que tem recebido dos Estados Unidos. O premiê tem capitalizado essa proximidade, conquistando concessões que os americanos negam há décadas a Israel. 

Pouco mais de duas semanas antes da primeira eleição deste ano, em abril, o presidente americano, Donald Trump, reconheceu a soberania israelense sobre as colinas de Golã, região que foi tomada da Síria e anexada em 1967, numa ação nunca legitimada pela comunidade internacional.

Em 2018, Trump já havia reconhecido Jerusalém como a capital do país, transferindo a embaixada americana para a cidade. A mudança foi amplamente criticada, uma vez os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como sua capital.

Após a expiração do prazo de Gantz, no fim desta quarta-feira, terá início um período de 21 dias em que os legisladores israelenses poderão nomear qualquer parlamentar para tentar formar uma nova aliança. O nome deve contar com o apoio de 61 dos 120 membros do Knesset, o Parlamento local, e a autorização formal do presidente.

Caso o novo escolhido também fracasse, uma nova eleição será realizada dentro de 90 dias. 

O que acontece a partir de agora?

Novo escolhido
Parlamentares terão 21 dias para nomear qualquer membro do Knesset, o Parlamento local, incluindo Binyamin Netanyahu e Benny Gantz, para uma terceira tentativa de formar um governo —algo sem precedentes na história do país. O escolhido precisa ser endossado por 61 dos 120 legisladores. Caso ninguém seja apontado, novas eleições serão convocadas.

A terceira tentativa
O negociador terá duas semanas para formar um bloco de maioria no Parlamento —considerando
que, para receber a missão, ele foi apoiado por ao menos 61 parlamentares, suas chances de sucesso são altas. Se for bem sucedido, o nomeado assume o novo governo

Sem acordo
Se o parlamentar falhar, o Knesset convocará novas eleições, que devem acontecer em março do próximo ano—seria o terceiro pleito em menos de um ano

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