'Sociedade está à beira do colapso', diz polícia de Hong Kong

Território semiautônomo vive protestos seguidos desde junho e aumento da violência nos últimos dias

Hong Kong | Reuters

Depois de mais de 20 semanas de protestos contínuos, a polícia de Hong Kong disse considerar que "nossa sociedade está à beira do colapso total".

A frase foi dita por um porta-voz da polícia em um informe nesta terça-feira (12), referindo-se aos dois últimos dias de violência.

Ele disse ainda que “arruaceiros” mascarados cometeram atos “insanos”, como atirar lixo, bicicletas e outros destroços em trilhos do metrô e em linhas de energia suspensas, paralisando o sistema de transportes.

Estudante arremessa objeto contra polícia durante protesto em universidade - Tyrone Siu/Reuters

Nesta terça, manifestantes fizeram um ato relâmpago com mais de mil pessoas no centro financeiro de Hong Kong. Vestidos com roupa social e máscaras para proteção contra gás lacrimogêneo, eles bloquearam ruas e protestaram por mais democracia no território.

Depois que se dispersaram, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra os manifestantes remanescentes na antiga e estreita rua Pedder. A polícia prendeu mais de uma dúzia de ativistas, muitas delas prensadas na calçada contra a parede da joalheria de luxo Tiffany & Co.

Mais tarde, a polícia isolou a via, que estava calma quando funcionários de escritório começaram a ir para casa.

A polícia também usou gás lacrimogêneo na Universidade da Cidade em Kowloon Tong, abaixo de Lion Rock, e na Universidade Chinesa, do outro lado da montanha, onde manifestantes lançaram coquetéis molotov e tijolos contra a polícia.

Tijolos, outros destroços e pequenas fogueiras se espalhavam pelas ruas dentro e fora da entrada do campus da Universidade Chinesa enquanto a polícia deteve alguns ativistas.

Os confrontos ocorreram um dia depois de a polícia balear um manifestante à queima-roupa e um homem ser coberto de gasolina e incendiado, em alguns dos piores episódios de violência na ex-colônia britânica em décadas.

Ainda na segunda-feira, a polícia lançou várias bombas de gás lacrimogêneo na área central da cidade, onde alguns manifestantes bloquearam ruas onde havia bancos e joalherias. A maioria desses estabelecimentos não abriu as portas nesta terça-feira.

A tensão aumentou ainda mais depois da morte de Alex Chow, 22, que caiu de um estacionamento de vários andares em 4 de novembro. As circunstâncias do caso permanecem indeterminadas, mas ele foi o primeiro estudante a morrer desde o início das manifestações na ex-colônia britânica.

A onda de revolta foi desencadeada por um projeto de lei que facilitaria a extradição de suspeitos para serem julgados na China continental.

O governo retirou a proposta, mas mesmo assim os protestos seguiram, com uma série de demandas que incluem a investigação das ações da polícia durante os protestos e maior proteção às liberdades civis.

Hong Kong possui leis diferentes do resto da China, que permitem maior liberdade naquela região. Os ativistas temem que o governo de Pequim amplie o controle sobre o território.

As manifestações minaram a reputação do território como centro financeiro internacional e estão afetando a economia local. No fim de outubro, dados do governo confirmaram que Hong Kong entrou em recessão pela primeira vez desde a crise global de 2008. 

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