Ao menos 3.500 mulheres foram vítimas de feminicídio na América Latina em 2018

Países do Caribe e da América Central possuem taxas elevadas desse tipo de crime

Santiago | AFP

Pelo menos 3.529 mulheres foram assassinadas em 25 países da América Latina em 2018 por motivos de gênero, com Bolívia e quatro países centro-americanos liderando o número de casos do tipo, segundo um estudo da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe).

Na semana do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres (25/11), a Cepal alertou sobre o "flagelo" e a importância de seu registro para implementar políticas transversais para "sua prevenção, reparação e sanção".

Protesto contra a violência de gênero em Santiago, no Chile - Claudio Reyes - 29.nov.2019/AFP

O organismo destacou que quatro das cinco taxas mais altas de feminicídio na América Latina foram registradas em El Salvador (6,8 para cada 100 mil mulheres), Honduras (5,1) e Guatemala (2,0) e República Dominicana (1,9).

A Bolívia, com 2,3 feminicídios para cada 100 mil mulheres, lidera a estatística na América do Sul.

No Caribe, destacam-se as altas taxas de Trinidad e Tobago e de Barbados, ambas com 3,4 mortes para cada 100 mil mulheres.

"O assassinato por razões de gênero é o extremo do contínuo de violência que vivem as mulheres na região", afirmou a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

Para Bárcena, os altos números de feminicídios "dão conta da profundidade que alcançam os padrões culturais patriarcais, discriminatórios e violentos na região".

Em contraste com as elevadas cifras de feminicídios, está o Peru, com uma taxa de 0,8, a mais baixa na região.

O Observatório de Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe (OIG), órgão da Cepal encarregado de colher os casos de feminicídios, destacou as dificuldades da região para gerar estatísticas comparadas sobre o problema. 

O organismo destacou que na maioria dos países do Caribe a ausência de tipificação do feminicídio em códigos penais faz com que só sejam registrados os casos em que o assassino é companheiro ou ex-companheiro da vítima.

Na América Latina, a normativa do fenômeno difere de uma "expressão ampla" do feminicídio até leis que relacionam o crime ao casamento ou à convivência, o que gera múltiplas formas de construir os registros de cada país.

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