Após acusações de abusos, polícia chilena anuncia reformas

Armas não letais serão incorporadas, diz diretor dos Carabineros

Santiago

A autoridade máxima da polícia chilena detalhou nesta quinta (12) mudanças profundas na instituição, abalada por alegações de violações de direitos humanos em quase dois meses de atuação para conter os protestos contra o governo.

"Seguindo as experiências de outros países, vamos incorporar armas não letais, veículos mais leves e mais versáteis. E sobretudo a incorporação de meios audiovisuais", informou para a imprensa o diretor-geral dos Carabineros, Mario Rozas. Não há detalhes sobre o uso desses recursos audiovisuais.

A polícia planeja revisar o uso de caminhões blindados de grande porte, os "guanacos", que há semanas atingem os manifestantes com canhões de água, e também veículos conhecidos como "zorrillos", que pulverizam gás lacrimogêneo.

Manifestante corre na frente de veículo da polícia chilena, durante protesto contra o governo em Santiago - Andres Martinez Casares/Reuters

Além disso, Rozas disse que a organização iniciou investigações internas de 856 casos de supostos abusos. Quem for considerado culpado sofrerá punições como advertências ou mesmo a expulsão.

Os protestos contra a desigualdade social que atingem o Chile desde outubro já deixaram pelo menos 26 mortos e milhares de feridos. A Sociedade Oftalmológica Chilena informou que mais de 200 pessoas sofreram graves trauma oculares nas manifestações, principalmente devido a balas de borracha da polícia.

Grupos de direitos internacionais, incluindo a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, apontaram repetidos excessos de violência por parte das forças armadas durante os protestos.

Rozas disse que a força policial planeja criar um serviço especial dedicado exclusivamente à manutenção da "ordem pública" durante futuros protestos e comícios, com foco na proteção dos direitos humanos, e que organizações de defesa como o Instituto Nacional dos Direitos Humanos estão convidados a cooperar na reeducação da polícia.

Nesta semana, uma menina de 15 anos foi atingida por um cartucho de gás lacrimogêneo durante um protesto, causando uma onda de indignação em Santiago.

Ainda segundo Rozas, 4,6 milhões de pessoas participaram de 2.500 manifestações em todo o país desde que os protestos começaram, há mais de 50 dias.

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