Bares do Reino Unido terão festas para seguir eleição que definirá futuro do brexit

Reino Unido vai às urnas nesta quinta-feira, e resultado deve sair apenas de madrugada

Londres

Sem campanhas de última hora, pesquisas eleitorais ou cobertura na TV ou no rádio, mais de 45 milhões de britânicos decidem nesta quinta (12) o futuro do brexit.

A votação ocorre das 7h às 22h (das 4h às 19h, no horário do Brasil), e a legislação impede a transmissão de qualquer noticiário eleitoral nesse intervalo. A restrição não cita especificamente sites noticiosos e mídia social, mas veículos devem evitar conteúdo que possa ser interpretado como tentativa de influenciar o voto.

O premiê Boris Johnson levou o cachorro Dilyn ao ir votar em Londres - Dylan Martínez/Reuters

O resultado em todos os 650 distritos deve ser conhecido por volta das 6h (3h no Brasil) desta sexta (13). O mais importante, porém, é saber se o primeiro-ministro Boris Johnson, líder do Partido Conservador, consegue ou não assegurar maioria para aprovar seu acordo do brexit.

Essa resposta pode vir ao longo da madrugada —pesquisas divulgadas na quarta mostravam eleição ainda indefinida, com Boris assegurando de 311 a 367 representantes (são necessários 326 para a maioria).

Por volta das 23h (20h no Brasil), as emissoras de TV BBC, iTV e Sky News devem divulgar pesquisa de boca de urna encomendada ao instituto Ipsos Mori.

Em 2017, a pesquisa previu corretamente um impasse no Parlamento (quando não há maioria clara) e, em 2015, acertou ao indicar vitória dos conservadores.

A apuração garantirá uma maratona de festas e bebidas. Pubs, restaurantes e casas noturnas devem ficar abertos durante a madrugada para acompanhar as apurações.

Há sessões programadas de "karaokê político" e promoções de "dois drinques pelo preço de um" e pizza gratuita para todo mundo que aparecer fantasiado de Boris Johnson ou Jeremy Corbyn.

Outros bares organizam jogo de dardos em que os alvos são os candidatos ou suas propostas de campanha e há apresentações especiais de comédias stand-up com temas eleitorais.

Como a apuração promete surpresas, o pub Lexington terá um "swingmômetro" (contador de reviravoltas) para acompanhar cada distrito conquistado pelos partidos. Também promete muito café em seus dois andares, para ajudar o público a atravessar a noite acordado.

Numa eleição atipicamente marcada para dezembro, não faltarão também celebrações natalinas: restaurantes anunciam suas ceias de breXmas (união das palavras brexit e Xmas, Natal em inglês), apelido criado para o pleito de 2019.

Nos 90 minutos finais da eleição, atores reencenam num teatro de Londres "The Vote", peça experimental apresentada pela primeira vez em 2015, na qual três atores representam funcionários de uma zona eleitoral e improvisam em tempo real.

Além das festas mais democráticas, há as voltadas apenas para simpatizantes de um determinado partido. Para não entrar no covil do inimigo, o eleitor deve ficar atento a bandeiras azuis, vermelhas ou amarelas, para os liberais democratas.

Tabloides britânicos também dão dicas para organizar sua própria festa, "longe dos rivais e perto da sua cama, se o cansaço vencer a animação".

Baristas sugerem coquetéis com Curaçao (licor azul) para conservadores, cranberry para trabalhistas e fatias de limão para os liberais democratas, e, entre as possíveis atividades para aguentar a noitada estão um bingo eleitoral com os 650 distritos e "poll dancing" (uma brincadeira com a palavra poll, votação, e pole dancing, dança com apoio em barras, geralmente praticada por dançarinas em boates).

Na manhã desta quinta (12), o premiê Boris Johnson levou seu cachorro, Dilyn, para acompanhá-lo na votação, em Londres. Mestiço da raça Jack Russell Terrier que foi adotado por Boris após ser abandonado aos quatro meses de idade, Dilyn usava no pescoço um lenço azul (cor dos conservadores) e uma coleira vermelha (dos trabalhistas).

Os principais líderes de oposição —o trabalhista Jeremy Corbyn, a liberal democrata Jo Swinson e a nacionalista escocesa Nicola Sturgeon—  também votaram logo cedo.



Como são as eleições britânicas?
O voto não é obrigatório e o dia da eleição não é feriado. As urnas ficam abertas das 7h às 22h. Os eleitores devem se registrar no distrito em que moram (em dezembro de 2018, havia 45,8 milhões de britânicos registrados para votar).

Em cada distrito, o candidato mais votado leva a cadeira do Parlamento, independentemente do número de votos para seu partido em todo o país.

Quando sai o resultado desta eleição?
Os resultados de todos os 650 distritos devem estar apurados até as 6h (3h) no Brasil. Deve sair durante a madrugada, porém, o resultado mais importante na prática: se o Partido Conservador conseguiu ou não assegurar a maioria das cadeiras para aprovar seu acordo do brexit.

De quantas cadeiras Boris precisa para o brexit?
Da maioria simples, ou seja, 326 cadeiras. Na prática o número pode ser um pouco menor, porque o presidente da Casa não vota.

Tradicionalmente, os eleitos pelo partido norte-irlandês Sinn Fein também não assumem suas cadeiras (na última eleição, eles elegeram sete representantes).

Como se escolhe o primeiro-ministro?
Se um partido obtém maioria, seu líder é declarado primeiro-ministro. Ele pede permissão à rainha para formar um novo governo em nome da Coroa.


E se ninguém alcançar a maioria?
Ocorre impasse (o que os ingleses chamam de "hung parliament"), e Boris continua no cargo para tentar formar um governo de coalizão. Antes dessas eleições, o Partido Conservador contava com o DUP (unionista irlandês) para governar.

Se ele não obtiver a maioria associando-se a outro partido, pode tentar ainda estabelecer um governo de minoria, no qual se estabelece um acordo de apoio para que outro partido vote com o governo nos temas principais.

O que acontece se Boris não formar um governo?
Nesse caso, o primeiro-ministro costuma renunciar e dar ao líder da oposição (o trabalhista Jeremy Corbyn) a oportunidade de tentar formar um governo.Se a oposição fracassar, convocam-se novas eleições.

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