Descrição de chapéu Brexit

Campanha conclama donos de barcos a derrotar Boris em seu próprio distrito

Manobra impediria conservador de se manter como primeiro-ministro mesmo que seu partido vença eleições

Londres

Chega de barco por canais londrinos uma manobra de última hora para tentar barrar a vitória do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, nas eleições desta quinta (12).

A campanha, batizada de Votey McVotefac, tenta convencer donos de barco contrários ao brexit a votar contra Boris no distrito de Uxbridge, na região oeste de Londres, onde o líder conservador foi eleito em 2017, com uma margem de 5.000 votos.

Para analistas ouvidos pela mídia britânica, não é impossível que ele seja derrotado agora pelo candidato trabalhista Ali Milani.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, discursa em evento de campanha na cidade de Uttoxeter
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, discursa em evento de campanha na cidade de Uttoxeter - Ben Stansall/AFP

Segundo as regras britânicas, a rainha deve indicar como primeiro-ministro alguém que tenha a confiança do Parlamento.

Na teoria, portanto, ela até poderia indicar Boris ao cargo mesmo se ele perder o posto de representante na Câmara Baixa do Parlamento (o equivalente a deputado), desde que seu Partido Conservador obtenha a maioria das 650 cadeiras.

Na prática, porém, essa medida é impossível porque iria contra a tradição política do país, segundo a qual o premiê é um membro do Parlamento (seja da Câmara Baixa, seja da Alta). Assim, se perder a disputa, Boris terá que renunciar ao comando do país, independente da vitória de sua sigla na eleição geral.  

As pesquisas desta terça (10) mostram o partido de Boris com dez pontos percentuais de vantagem, mas, no sistema britânico, cada distrito elege o candidato mais votado, independentemente do total de votos em cada partido.

Numa eleição capturada pela discussão sobre o brexit, que ainda divide o país ao meio, tem crescido o apelo ao voto útil para barrar a vitória de Boris e, assim, manter vivas as chances de cancelar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Nos últimos dois dias de campanha, partidos e movimentos tentam virar os resultados nos chamados distritos "marginais" (em que os conservadores estão à frente com uma margem estreita).

Em alguns, a vitória conservadora em 2017 se deu por apenas 31 votos, como Southampton Itchen.

A "guerrilha dos barcos" se vale de uma brecha da legislação eleitoral que permite a quem mora numa embarcação (e, portanto, não tem endereço fixo) registrar-se num distrito com o qual "tenha alguma conexão".

Segundo a campanha Votey McVotefac, há 54 distritos em que a margem conservadora é menor que 1.000 votos, e 11 às margens dos quais os donos de barco poderiam ter passado, o que estabeleceria a "conexão" necessária para votar.

O grupo afirma que apenas se opõe aos conservadores e não tem afinidade com nenhum partido específico. A campanha é patrocinada pelo Joseph Rowntree Reform Trust, fundo sem fins lucrativos cuja missão declarada é "responder à crescente crise da democracia e erosão na confiança nas instituições e na classe política".

Uma pesquisa divulgada nesta terça pelo instituto YouGov mostra que 25% dos eleitores declararam que vão votar no candidato "que acham o menos pior" (57% dizem votar naquele de quem mais gostam).

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