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Financial Times Brexit

Classe, comparecimento e Partido do Brexit moldaram eleições no Reino Unido

Vitória conservadora foi impulsionada por afastamento de trabalhadores do Partido Trabalhista

John Burn-Murdoch Billy Ehrenberg-Shannon Oliver Elliott
Londres | Financial Times

A vitória dos conservadores no Reino Unido foi impulsionada por um afastamento da classe trabalhadora do Partido Trabalhista, segundo um levantamento do Financial Times.

O Partido Trabalhista entrou em colapso em todo o país e caiu para o menor número de parlamentares em 84 anos —203 cadeiras, contra 365 dos conservadores.

Nos locais que concentram trabalhadores pouco qualificados, os conservadores subiram em média 6 pontos percentuais e os trabalhistas caíram 14. Já nos distritos com menos profissionais pouco qualificados, os conservadores perderam 4 pontos e os trabalhistas, 7.

A mudança de apoio nas regiões com classe trabalhadora para os conservadores teve a associação estatística mais forte de todas as analisadas. 

 

Embora o apoio desse grupo ao brexit tenha sido um dos maiores fatores nas urnas, a antipatia de alguns britânicos pelo líder da oposição, Jeremy Corbyn, também foi fundamental para afastar eleitores.
O comparecimentos às urnas também parece ter ajudado os conservadores. 

O partido no poder se saiu melhor em relação aos trabalhistas e aos liberais democratas em locais onde a presença dos eleitores caiu em comparação com 2017, e pior onde a participação aumentou. 

Isso sugere que em distritos com disputa apertada, a maioria das pessoas que ficou em casa apoiava os trabalhistas.

O voto pragmático dos apoiadores do “remain” (permanecer na União Europeia) fez pouco progresso. Um de seus maiores êxitos foi em St. Albans, onde a votação trabalhista caiu 14 pontos percentuais e a dos liberais democratas (pró-UE) subiu 18, levando o candidato da sigla à vitória. 

Mas em Kensington o voto anti-brexit foi dividido, com o Partido Trabalhista caindo 4 pontos e os liberais democratas subindo 9. Isso deu aos conservadores uma vitória por 150 votos sobre a legenda adversária, que só havia tirado assentos dos conservadores em 2017 por uma margem de 20.

Em Wimbledon e proximidades, muitos eleitores trabalhistas parecem ter dado seu apoio aos liberais democratas na tentativa de derrubar os conservadores, mas, no final das contas, seus esforços foram insuficientes e o atual representante da região, o conservador Stephen Hammond, venceu por de cerca de 700 votos.

Os dados também sugerem que o Partido do Brexit desempenhou um papel importante no sucesso dos conservadores. Onde a legenda foi competitiva, ela recebeu mais votos dos eleitores trabalhistas do que dos conservadores. 

Além disso, os trabalhistas sofreram perdas maiores, em média, onde o Partido do Brexit estava presente, em comparação com as regiões em que a sigla de direita radical não disputou. 

Isso ficou mais evidente em Yorkshire e Humber, onde o Partido do Brexit teve seus melhores desempenhos. Por exemplo, no distrito de Don Valley, a sigla obteve 15% dos votos enquanto os trabalhistas caíram 19 pontos. Apesar disso, o voto conservador também subiu (de 42% para 43%), permitindo a derrubada da trabalhista Caroline Flint.
 

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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