Em meio a crise diplomática com Bolívia, México exige respeito a direito de asilo

Obrador quer garantia da segurança da embaixada em La Paz e salvo conduto para asilados

São Paulo

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, pediu nesta sexta (27) que o governo interino da Bolívia respeite o direito de asilo das nove pessoas que estão na embaixada mexicana em La Paz.

Após Evo Morales renunciar à Presidência, em 11 de novembro, e deixar o país rumo ao México, diversas pessoas próximas ao agora ex-presidente se asilaram na embaixada mexicana em La Paz, muitas delas acusadas pelo governo interino de Jeanine Añez de crimes como sedição e revolta armada.

A embaixada, no entanto, nega-se a entregá-los, enquanto La Paz se recusa a dar o salvo-conduto necessário para que possam sair do país em segurança.

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As tensões diplomáticas entre México e Bolívia se agravaram nos últimos dias.

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, em cerimônia no palácio presidencial em La Paz
A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, em cerimônia no palácio presidencial em La Paz - David Mercado - 18.dez.19/Reuters

Na quarta-feira (25), o governo mexicano havia anunciado que recorreria à Corte Internacional de Justiça (CIJ) para denunciar o que considera ser uma vigilância policial intimidatória contra sua embaixada na Bolívia.

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Desde o início da semana, o México afirma que sofre “intimidação e amedrontamento” por uma “excessiva” presença de serviços de inteligência e de segurança bolivianos no local.

O governo boliviano, por sua vez, respondeu que existem ameaças “críveis” de ataques contra a embaixada por parte de movimentos sociais e indígenas.

A chanceler da Bolívia, Karen Longaric, afirma que foi a própria embaixadora mexicana que pediu o reforço da segurança no mês passado, por se sentirem assediados por protestos de movimentos sociais.

Evo deixou o poder pressionado pelas Forças Armadas e por grandes protestos nas ruas, depois de uma eleição presidencial que a OEA (Organização dos Estados Americanos) disse ter sido fraudada a seu favor.

Logo após renunciar, aceitou a oferta de asilo político do México, país que deixou neste mês para se mudar para a Argentina, onde está na condição de refugiado.

No Twitter, Efrain Guaderrama, diretor de mecanismos regionais americanos no ministério de Relações Exteriores do México, afirmou que o governo de seu país havia convocado a encarregada de negócios da embaixada boliviana no México, Silvia Montecinos, para que ela explicasse os atos que consideram intimidatórios.

Além disso, pediram conversas para discutir o pedido de salvo-conduto para os asilados na embaixada mexicana, mas não houve resposta. A chanceler boliviana Longaric teria cancelado a reunião solicitada por diplomatas mexicanos.

"Pedimos que se respeite e preserve a integridade das instalações e de quem está dentro delas, pois são parte do território mexicano. Estamos estabelecendo uma conexão com toda a comunidade porque nem nos piores momentos dos golpes militares dos anos 1970 e 1980 [na América Latina] houve ameaça à integridade das instalações [da embaixada]”, disse o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, na quinta.

Também nesta quinta, o governo de Añez acusou Evo de “usurpar funções” após o ex-presidente boliviano inaugurar, por telefone, um mercado no vilarejo de Entre Ríos, no sul da Bolívia.

Ele foi convidado para participar do evento pelo sub-governador da província de O’Connor, Wálter Ferrufino, membro do MAS (Movimento para o Socialismo).

"Celebro, de Buenos Aires, esta inauguração de nosso mercado e felicito a nossas autoridades do vilarejo  e da província por trabalharem em conjunto para o desenvolvimento de nossas comunidades e municípios. Só quero dizer, nesta cerimônia de inauguração, defendam nossos programas”, disse Evo, em vídeo divulgado pelo jornal Pagina Siete.

O ministro da Presidência da Bolívia, Yerko Núñez, braço direito de Añez, afirmou no Twitter que era “engraçado, mas ao mesmo tempo revoltante” e que Evo “usurpa funções e aumenta a lista de delitos pelos quais terá de responder à Justiça boliviana”.

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