Netanyahu vence primárias do Likud com folga e ganha fôlego para eleição em Israel

Popularidade do premiê foi testada dentro de seu partido após indiciamento por corrupção

Jerusalém | AFP

Desafiado por seu principal rival no partido, Gideon Saar, Binyamin Netanyahu venceu com folga as primárias do Likud, ganhando fôlego para as eleições gerais de março em Israel, que prometem ser acirradas.

O resultado, anunciado nesta sexta-feira (27), foi de 72,5% para o primeiro-ministro contra 27,5% para Saar, que desejava assumir o controle da sigla.

"Uma imensa vitória! Obrigado aos membros do Likud por sua confiança, apoio e afeição", escreveu Netanyahu nas redes sociais após o fim da votação, quando uma pesquisa de boca de urna do Canal 12 apontava sua vitória por ampla margem.

"Com sua ajuda e a ajuda de Deus liderarei o Likud para uma grande vitória nas próximas eleições e continuarei liderando o estado de Israel para sucessos sem precedentes", continuou.

Bibi, como é conhecido, lidera o Likud desde 1993 —com exceção de um intervalo de seis anos, quando o partido foi comandado pelo falecido Ariel Sharon— e é o chefe de governo com mais tempo no poder na história de Israel.

Depois que ele foi indiciado em novembro por corrupção, fraude e quebra de confiança —que ele afirma se tratar de "acusações falsas" com motivação política—,  seus rivais no partido, com Saar à frente, exigiram eleições internas. As primárias serviram, então, como uma espécie de referendo da popularidade de Netanyahu

Quase 116 mil integrantes da legenda participaram da votação, que foi encerrada às 23h locais (18h em Brasília). O índice de comparecimento foi de 49%, segundo o partido.

Após a derrota, Saar tuitou para agradecer a seus partidários, voluntários e eleitores. "Estou satisfeito com minha decisão de concorrer. Os que não correm riscos jamais ganham. Felicitações ao primeiro-ministro (...). Meus colegas e eu estaremos com ele durante a campanha para garantir a vitória do Likud", escreveu.

As eleições legislativas de 2 de março serão o terceiro pleito no país em menos de um ano. Na votação antecipada de abril e na segunda eleição, em setembro, nem Netanyahu nem o centrista Benny Gantz conseguiram o apoio de 61 deputados, número que representa a maioria parlamentar para formar governo.

Gideon Saar, nome importante do partido, foi ministro em diversas ocasiões, antes de ser afastado por Netanyahu em 2014.

Ele é considerado ainda mais à direita do que Netanyahu, especialmente na questão palestina. Apresenta-se, contudo, como um unificador além de seu próprio campo, com base em suas relações com os líderes de outros partidos.

Também se apoia, sem declarar abertamente, no fato de que não é acusado pela Justiça, pois o partido Azul-Branco de Gantz se recusa a dividir o poder com um primeiro-ministro indiciado.

Pesquisas recentes mostraram que um Likud liderado por Saar conquistaria menos cadeiras no Parlamento em 2 de março do que se a legenda fosse comandada por Netanyahu. Com Saar, seria possível que eleitores do Likud acabassem votando em outros partidos de direita.

Neste caso, a direita israelense, somando todos os partidos, poderia sair reforçada das urnas e potencialmente superar a barreira da maioria parlamentar necessária para formar um governo.

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