Descrição de chapéu Venezuela

Supostos autores de ataque a base foram instruídos no Brasil, diz Caracas

Ministro venezuelano afirma que grupo se hospedou em Pacaraima (RR); PF não se pronuncia

São Paulo e Brasília | AFP

O governo da Venezuela voltou a acusar o Brasil de ter dado apoio a um ataque contra uma base militar no sul do país, ocorrido no domingo (22), no qual foram roubadas armas, incluindo equipamentos para derrubar aeronaves. 

Em uma entrevista coletiva nesta segunda (23), o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, afirmou que os supostos militares desertores que invadiram o Batalhão de Infantaria de Selva Mariano Montilla, na localidade de Luepa, perto da fronteira com o Brasil, ficaram hospedados por 15 dias em um hotel de Pacaraima, em Roraima, cidade vizinha à venezuelana Santa Elena de Uairén.

Segundo Rodríguez, o grupo foi financiado e instruído por Andrés Antonio Fernández Soto, a quem o ministro acusou de ser traficante de ouro. Ele estaria vivendo no Brasil.

O ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez - 14.dez.2019 - Presidência da Venezuela/Xinhua

“O governo do Brasil tem que explicar por que um criminoso, traficante de ouro e assassino, que esteve por trás de ações contra o comando da Venezuela, este senhor, Antonio ‘Toñito’ Fernández, foi quem manteve os desertores e criminosos em Pacaraima durante 15 dias, quem lhes deu dinheiro e quem lhes prometeu dar uma quantidade de dinheiro depois que eles atacassem a base militar”, afirmou Rodríguez. 

“O governo do Brasil não tem nada a ver com isso? Então que prenda e nos entregue Toñito”, disse o ministro. 

De acordo com a imprensa venezuelana, Toñito Fernández chegou a ser detido pela Polícia Federal em Pacaraima em junho de 2018, como parte de uma operação conjunta com a Guarda Nacional Bolivariana contra uma rede de  contrabando de ouro.

O Itamaraty negou que o Brasil tenha tido qualquer participação neste episódio. Procurada pela Folha, a PF não se manifestou. 

Rodríguez disse também que o ataque ao quartel tinha como objetivo roubar armas, incluindo lança-foguetes, para forjar um ataque venezuelano contra um avião ou helicóptero da Colômbia. “O objetivo era montar um ‘falso positivo’ para que o governo dos EUA pudesse então intervir militarmente na Venezuela.”

No domingo, Rodríguez havia publicado em uma rede social que os autores do ataque ao quartel “foram treinados em acampamentos paramilitares plenamente identificados na Colômbia, e receberam a colaboração ardilosa do governo de Jair Bolsonaro”.

As mensagens foram compartilhadas também pelo perfil do ditador Nicolás Maduro.

Os supostos desertores teriam sido treinados em Cali, na Colômbia, e de lá viajaram por estrada para o Equador e depois para o Peru.

O grupo teria, então, entrado no Brasil, passado por Manaus (AM) e chegado a Pacaraima, onde teria recebido “instruções e planejamento” de Toñito Fernández. 

O ministro Rodríguez afirmou ainda a existência de um suposto conluio com os deputados opositores Yanet Fermín, Gaby Arellano, Ismael León, Gilber Caro e José Manuel Olivares. Em nota, a Assembleia Nacional, controlada por antichavistas mas cuja autoridade foi esvaziada pela governista Assembleia Constituinte, refutou as “falsas acusações”.

No dia 14, o regime já havia acusado dois parlamentares de planejar um golpe contra Maduro, com suposta cumplicidade do líder oposicionista Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países.

De acordo com o ministro, os invasores levaram um lote de armas e um caminhão da base do batalhão Mariano Montilla, em Luepa. De lá, atacaram dois postos policiais, onde roubaram mais armas. Em Luepa, houve confrontos envolvendo civis e militares, e um soldado morreu.

Após o ataque, várias unidades militares e policiais perseguiram os invasores e conseguiram recuperar a maior parte das armas. Sete indígenas da etnia pemón, acusados de ter envolvimento na ação, foram presos, e outros quatro estariam desaparecidos.

Com seus territórios na tríplice fronteira seca com Brasil e Guiana, os pemones voltaram-se contra Maduro neste ano, após se queixarem do abandono da região e da crescente violência.

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