Descrição de chapéu Brexit

Vídeo de Boris Johnson se recusando a ver foto de menino em chão de hospital viraliza

Caso, que tem sido chamado de o maior erro do primeiro-ministro até agora, eleva críticas aos conservadores

Londres

No que foi chamado por analistas políticos de o principal erro do conservador Boris Johnson até agora, o primeiro-ministro se recusou a olhar para a foto de um menino doente deitado no chão de um hospital do serviço público britânico, o NHS.

A apenas três dias da eleição para o Parlamento, crucial para que o primeiro-ministro consiga aprovar seu acordo do brexit, o deslize deu munição para a oposição, que o acusa de ter sucateado a saúde pública, entre outros serviços.

A foto de Jack Williment-Barr, 4, com suspeita de pneumonia, deitado sobre uma pilha de casacos no chão do hospital de Leeds (na região centro-norte da Inglaterra), foi enviada pela mãe do menino, Sarah Williment, para o jornal Yorkshire Evening Post, e estampada na capa de vários jornais e sites britânicos.

Jack Williment-Barr foi forçado a dormir no chão de um hospital inglês por mais de oito horas enquanto esperava por atendimento - Arquivo Pessoal

Segundo Sarah, ele foi levado de ambulância ao hospital na terça passada (3), mas deixado à espera no pronto-socorro por mais de quatro horas —máximo aceitável de acordo com as metas do próprio NHS.

O hospital afirma que essa foi a pior semana do setor de emergência desde 2016. Mas o serviço público de saúde britânico tem enfrentado problemas crônicos de falta de mão de obra (até 100 mil vagas abertas, sendo mais de 40 mil de enfermeiros e 10 mil de médicos) e equipamentos sem condições de uso.

Em setembro, Boris já havia sido criticado pelo pai de uma menina num hospital da região nordeste de Londres.

O primeiro-ministro, em campanha eleitoral nessa região inglesa tradicionalmente território trabalhista, foi questionado por um repórter da TV de Yorkshire sobre o episódio, mas se recusou a falar sobre o menino, dando respostas gerais sobre o NHS.

Quando o repórter Joe Pike tentou mostrar a imagem a Boris, ele agarrou o telefone e o enfiou em seu bolso.

A manobra foi filmada e tornada pública —até a noite desta segunda (9), já fora vista por cerca de 5,7 milhões de internautas.

O Partido Trabalhista aproveitou para usar o vídeo como uma prova de que Boris "não dá a mínima para o NHS".

O primeiro-ministro precisa obter ao menos 326 dos 650 postos do Parlamento para aprovar seu acordo do brexit até 31 de janeiro, como prometeu.

Pesquisas mostram que o partido tem uma vantagem de entre 7 e 11 pontos percentuais sobre os opositores, mas, no sistema britânico, cada distrito elege o candidato mais votado, independentemente do total de votos para o partido.

Na reta final da campanha, opositores tentam convencer indecisos a barrar o brexit, jovens a comparecerem às urnas e eleitores contra a saída da União Europeia a recorrer ao voto útil —em cada distrito, diferentes partidos podem ter mais chance de levar a cadeira dos conservadores.

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