Descrição de chapéu Governo Trump

Após semanas, Câmara entrega processo de impeachment de Trump ao Senado

Presidente é acusado de pressionar Ucrânia para obter vantagens pessoais e de obstruir a Justiça

Washington | Reuters

Após quase um mês parado, o impeachment de Trump voltou a andar. Os deputados democratas na Câmara entregaram nesta quarta-feira (15) os documentos do processo contra o presidente para o Senado, depois de escolherem o comitê que irá representar o processo.

Os representantes foram aprovados em votação na Câmara. O grupo, de quatro homens e três mulheres, é liderado por Adam Schiff, 59, chefe do Comitê de Inteligência da Câmara, e que participou ativamente do processo de impeachment.

O grupo representará a parte da acusação no julgamento realizado pelo Senado, e apresentará as razões pelas quais acreditam que Trump deve ser retirado do cargo.

Comitiva se dirige ao Senado para entrega dos artigos de impeachment contra Trump, em Washington - Mary F. Calvert/Reuters

O avanço do processo se deu com uma pequena encenação de ares solenes. Os sete representantes saíram da Câmara com os documentos em mãos, em uma pasta azul, e se dirigiram rumo ao Senado. Ao chegarem, comunicaram formalmente que estavam entregando as conclusões de sua investigação.

O senador Mitch McConnel, líder da maioria republicana do Senado, recebeu os artigos —mas ainda não de maneira oficial, o que está previsto para acontecer nesta quinta (16). Ou seja, os sete representantes deverão voltar ao Senado e ler os artigos em voz alta. 

Também na quinta, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, que presidirá o julgamento, será juramentado, bem como os senadores que comporão o júri. O julgamento deve começar somente na terça (21).

Momentos antes de os artigos serem levados ao Senado, a democrata Nancy Pelosi disse que era "muito triste, muito trágico para nosso país" que o comportamento de Trump "nos tenha trazido até este lugar".

Ela assinou os documentos com diversas canetas dispostas em três pequenas bandejas de prata. Em seguida, as canetas —de corpo preto, estampadas com a assinatura da democrata— foram doadas aos aliados que estavam ao seu redor.

A assessora de imprensa da Casa Branca, Stephanie Grisham, criticou o ato em uma rede social: "As canetas de lembrança de Nancy Pelosi servidas em pratos de prata para assinar os artigos de impeachment fraudulentos... Ela estava tão sombria enquanto dava as canetas para pessoas como prêmios".

O presidente Donald Trump também costuma usar muitas canetas em ocasiões especiais, como no dia de sua posse, quando as distribuiu aos presentes após assinar as nomeações de seu gabinete. Durante seu mandato, no entanto, ele tem usado bastante uma caneta permanente da Sharpie para fazer anotações.

Está em debate como o processo será tocado no Senado. McConnell resiste à ideia de chamar testemunhas e quer se basear apenas na investigação feita pela Câmara.

Schiff defende que novas testemunhas sejam chamadas e diz que não convocá-las seria um meio de proteger Trump.

O ex-conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, disse estar pronto para comparecer. Ele foi crítico ao esforço para pressionar a Ucrânia.

Joe e seu filho Hunter também poderão ser chamados. Trump afirmou que também gostaria de indicar testemunhas para depor.

A Casa Branca sustenta que a indicação dos nomes não muda nada no processo e que Trump é inocente.

Enquanto a Câmara votava para escolher os representantes, Trump participava de um evento para assinar a "fase 1" de um acordo para colocar fim à guerra comercial com a China.

O Congresso analisa se o presidente pressionou a Ucrânia a investigar os negócios de um filho do candidato democrata Joe Biden, um de seus principais rivais na eleição, de modo a obter vantagens políticas.

O ponto-chave da investigação é uma ligação telefônica entre Trump e o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, na qual o americano teria pressionado o líder estrangeiro. 

Schiff, líder do comitê, é alvo frequente de ataques de Trump, que já o chamou de "ser humano enlouquecido". 

O grupo inclui também Jerrold Nadler, 72, chefe do comitê de Justiça, que redigiu os dois artigos de acusação contra o presidente, que o apontam como culpado de abuso de poder e obstrução de Justiça. 

processo de impeachment foi aprovado na Câmara, que tem maioria democrata, em 18 de dezembro. Agora que está no Senado, tem poucas chances de ser aprovado, pois a Casa tem maioria republicana. 

Nenhum dos 53 senadores do partido de Trump demonstrou intenção de votar contra o presidente. É preciso ter votos de ao menos 67 dos 100 senadores para aprovar um processo de impeachment. 

Trump segue no cargo enquanto o processo corre. As sessões do Senado sobre o caso ocorrerão ao mesmo tempo em que começam as primárias para as eleições de 2020, nas quais o presidente busca a reeleição.

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