Avião ucraniano cai no Irã logo após decolar e deixa 176 mortos

Queda ocorreu minutos após a decolagem, nos arredores de Teerã

Dubai e Kiev | Reuters e AFP

Um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines caiu cinco minutos após decolar do aeroporto internacional Imam Khomeini, em Teerã, na manhã desta quarta-feira (8). 

A aeronave, que decolou às 6h12 na hora local (23h42 de terça em Brasília) e seguia para Kiev, pegou fogo após a queda. Todas as 176 pessoas a bordo morreram, e ainda não se conhecem as causas do acidente —que chegou a ser relacionado à crise entre Irã e Estados Unidos.

Cinco horas antes da queda da aeronave, o Irã havia disparado mísseis contra bases americanas no Iraque, em resposta a um ataque dos EUA que matou o general Qassim Suleimani, principal autoridade militar iraniana. 

Entre as vítimas, havia 82 iranianos, 63 canadenses e 11 ucranianos. Segundo o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, os passageiros fariam uma conexão para um voo com destino ao Canadá.

A rota Teerã-Toronto, via Kiev, era popular entre os canadenses e costumava transportar muitos estudantes e acadêmicos de origem iraniana que voltavam para casa depois das festas de fim de ano.

No voo que caiu, havia um casal que tinha ido ao Irã para se casar. Arash Pourzarabi, 26, e Pouneh Gourji, 25, estudavam ciência da computação na Universidade de Alberta. Quatro convidados do casamento também estavam a bordo.

Pessoas observam destroços após queda de avião ucraniano no Irã
Pessoas observam destroços após queda de avião ucraniano no Irã - Rohhollah Vadati/ISNA/AFP

"O fogo é tão forte que não podemos fazer nenhum resgate", disse o chefe dos serviços de emergência do Irã, Pirhossein Koulivand, que enviou diversas viaturas ao local do acidente.

A embaixada da Ucrânia no Irã disse que as causas da queda ainda são desconhecidas, e recuou de um comunicado enviado horas antes, que apontava uma possível falha no motor.

A mídia iraniana disse que o acidente foi causado por problemas técnicos. O piloto não chegou a declarar emergência nem pedir ajuda à torre de controle, disse a autoridade de aviação civil do Irã.

"Peço a todos que evitem especulações e versões não verificadas da catástrofe", escreveu o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, em sua página no Facebook. A embaixada ucraniana descartou a tese de um ataque terrorista.

Segundo a agência Reuters, diferentes agências de inteligência de países ocidentais não encontraram nenhum indício de que o avião tenha sido derrubado de maneira proposital. 

Devido aos ataques, diversas companhias aéreas deixaram de sobrevoar os territórios do Irã e do Iraque. Voos para a região das empresas Lufthansa, Emirates e Flydubai foram cancelados. A FAA (Agência norte-americana de aviação civil) proibiu companhias aéreas dos EUA de atender a região.

O motivo do acidente será analisado pela companhia aérea, pela fabricante Boeing e autoridades da Ucrânia e do Irã.

As duas caixas-pretas foram encontradas. No entanto, a agência de aviação do Irã disse que não irá entregá-las aos EUA nem à Boeing. É comum que o fabricante do avião participe das investigações, de modo a buscar formas de prevenir desastres futuros. 

Especialistas em aviação ouvidos pela agência Reuters apontaram que a queda de avião raramente se deve a apenas um fator e que a investigação para identificar as causas costuma levar meses.

A aeronave, um Boeing 737-800NG, com três anos de uso, havia passado pela última manutenção na segunda-feira (6), sem registros de nenhum problema, segundo a companhia aérea.

Os aviões modernos são projetados de modo que possam voar por longos períodos apenas com um motor, caso um deles falhe. No entanto, a quebra de um motor que gere estilhaços pode danificar outros componentes e sistemas da aeronave. 

A Boeing enfrentou uma grave crise no ano passado, depois que dois aviões 737 MAX, fabricados pela empresa, caíram minutos após a decolagem, em acidentes que ocorreram com poucos meses de diferença.

Após a segunda queda, na Etiópia, o modelo foi proibido de voar em dezenas de países, o que levou à sua retirada completa de operação. Os acidentes foram atribuídos a erros nos sistemas de navegação. 

A aeronave que caiu no Irã nesta quarta é um modelo diferente, o 737-800, e usa outro sistema. 

 

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