Bento 16 quebra silêncio e critica fim de celibato de padres em livro

Papa Francisco deve se posicionar em breve sobre o tema, que surgiu do sínodo da Amazônia

Vaticano | Reuters

O papa emérito Bento 16 defende o celibato de padres na Igreja Católica em um livro escrito junto com um cardeal conservador, no que parece ser um movimento estratégico para que o papa Francisco não mude as regras sobre esse assunto.

Em outubro, o documento final do sínodo da Amazônia propôs que homens casados que morem em áreas remotas possam ser ordenados como padres, no que seria um marco de mudança na Igreja Católica.

O papa Francisco considerará o relatório, assim como outras propostas relativas a mulheres e meio ambiente que surgiram do sínodo, em um documento chamado exortação apostólica, que deve ser publicado nos próximos meses.

papa francisco e papa bento se cumprimental
Papa Francisco (esq.) e o papa emérito Bento 16 durante encontro no Vaticano no final de 2018 - Vatican Media/AFP

Quando Bento se tornou o primeiro papa a renunciar em 700 anos, ele anunciou que ficaria "escondido do mundo". Mas, aos 92 anos e com saúde frágil, ele tem dado entrevistas, escrito artigos e contribuído com livros, numa quebra da promessa que tem animado os conservadores da Igreja, alguns dos quais não reconhecem a legitimidade de Francisco.

Bento escreveu "From the Depths of Our Hearts" (do fundo dos nossos corações), que deve chegar às livrarias na edição em inglês nesta segunda (13), com o cardeal Robert Sarah, que tem um alto cargo no Vaticano. Trechos foram publicados neste domingo (12) no jornal francês Le Figaro. 

Em sua parte do livro, Bento diz que o celibato, que se tornou uma tradição da Igreja há cerca de mil anos, tem "grande significado" porque permite aos padres se concentrarem em sua vocação. Ele diz que "não parece possível realizar ambas as vocações [sacerdócio e casamento] simultaneamente".

Na introdução, os dois autores dizem que não poderiam ficar em silêncio sobre o sínodo de outubro, que levou a conflitos entre veículos católicos de mídia progressistas e conservadores, sublinhando a polarização na comunidade mundial de 1,3 bilhão de pessoas que seguem a religião.

A proposta afirma que homens mais velhos casados, que já sejam diáconos da Igreja, tenham uma relação familiar estável e sejam líderes comunitários possam ser ordenados padres depois de uma formação adequada.

Isso solucionaria a escassez de padres em áreas isoladas e ampliaria a quantidade de missas e sacramentos, por isso a proposta é apoiada por muitos bispos sul-americanos.

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