Elizabeth 2ª estabelece 'período de transição' para Harry e Meghan

Após reunião, rainha disse que apoia decisão do neto de ser mais independente da família real

Londres | Reuters e AFP

Após uma reunião nesta segunda-feira (13), a rainha Elizabeth 2ª divulgou um comunicado dizendo que concordou com a decisão de seu neto, príncipe Harry, e da mulher dele, Meghan Markle, de serem mais independentes da família real britânica —e estabeleceu um período de transição para esse processo.

Harry e Meghan querem se afastar de funções reais
Harry e Meghan querem se afastar de funções reais - Daniel Leal-Olivas-27.nov.17/AFP

"Minha família e eu apoiamos totalmente o desejo de Harry e Meghan de criar uma nova vida como uma jovem família", declarou a monarca de 93 anos no texto, no qual qualifica as discussões sobre o tema de "muito construtivas".

"Apesar de preferirmos que eles se mantivessem como membros da família real em período integral, respeitamos e entendemos seu desejo de viver uma vida mais independente como uma família, enquanto permanecem como uma parte valiosa da minha família."

Ela afirma que haverá um período de transição no qual o casal vai se dividir entre o Reino Unido e o Canadá e acrescentou que há mais trabalho a ser feito para finalizar os arranjos, mas pediu que as decisões finais sejam tomadas "nos próximos dias".

O encontro, que ocorreu em Sandringham, na residência privada da rainha, incluiu também o pai de Harry (príncipe Charles) e o irmão dele, William. Meghan está no Canadá com o filho, Archie, e a previsão era que participasse por teleconferência.

Também nesta segunda, Harry e William divulgaram uma rara declaração pública contra uma reportagem publicada em um jornal inglês —que, sem identificar a fonte, dizia que Harry e Meghan estavam sofrendo “bullying” por parte de William, que não seria acolhedor com a cunhada.

"Para irmãos que se importam tanto com assuntos envolvendo saúde mental, o uso de linguagem inflamatória dessa maneira é ofensiva e potencialmente prejudicial", dizia o comunicado assinado pelos dois.

Em uma publicação no seu canal oficial no Instagram no último dia 8, o duque e a duquesa de Sussex, como Harry e Meghan são conhecidos formalmente, anunciaram que querem "se afastar do papel de membros seniores da família real" britânica e trabalhar para conquistar a própria independência financeira. Eles escreveram que tomaram a decisão após "muitos meses de reflexão e discussões internas".

A decisão do casal surpreendeu a rainha, que disse a interlocutores não ter sido consultada. Depois da publicação, o Palácio de Buckingham divulgou uma nota afirmando que são "questões complicadas" e que as conversas sobre as possíveis mudanças ainda estavam em estágio muito inicial.

Segundo a imprensa britânica, Elizabeth 2ª teria pedido à família que encontre uma solução para o desejo de seu neto, o sexto na ordem de sucessão ao trono, de obter independência financeira e viver parte do ano no Canadá. 

A negociação dos planos envolveu os governos britânico e canadense. De acordo com o Sunday Times, a reunião de família abordaria questões práticas, como a renda do casal, os títulos reais e que tipo de trabalho os dois poderão fazer —o que atualmente é vetado pelas normas da coroa britânica.

Meghan e Harry abriram mão de seu subsídio mensal, embora tenham expressado vontade de manter seus títulos como duques, proteção policial e uso do Frogmore Cottage, uma casa nos terrenos do Castelo de Windsor, a oeste de Londres, cuja reforma foi paga com 2,4 milhões de libras (cerca de R$ 13 milhões) do tesouro.

Além disso, o casal registrou a marca "Sussex Royal", que abrange vários campos: de cartões-postais a roupas, passando por consultoria e campanhas de caridade.


Perguntas e respostas

Quanto Harry ganhava?
Cerca de 95% de sua renda é fornecida pelo pai de Harry, o príncipe Charles, com as receitas do Ducado da Cornualha (que tem várias propriedades e investimentos). No último ano, ele deu a cada filho mais de 5 milhões de libras (cerca de R$ 26 milhões).

Os outros 5% vêm do Fundo Soberano, pago pelo governo à família real para cobrir despesas em tarefas oficiais. O total desse fundo foi de 82,4 milhões de libras (cerca de R$ 335 milhões) no último ano.

Harry também herdou da mãe 7 milhões de libras (R$ 37,2 milhões), e Meghan também tem uma fortuna como atriz bem-sucedida. Especialistas estimam que, junto, o casal tenha entre 10 e 15 milhões de libras.

De que eles vão viver agora?
O casal declarou apenas que vai abrir mão do Fundo Soberano, ou seja, de 5% de sua renda atual. Eles disseram que vão buscar independência financeira, mas não detalharam como.

Sabe-se que registraram, em junho, a marca “Sussex Royal”, em referência ao título que possuem, que é aplicada a vários produtos e serviços, de roupas e cartões-postais a atividades esportivas. A marca tem potencial de ser lucrativa, pois o casal é muito popular nas redes sociais.  

Harry e Meghan perderão seus títulos de nobreza?
Eles declararam que querem manter seus títulos de duque e duquesa de Sussex —além da proteção policial e da moradia no Frogmore Cottage, casa cuja reforma foi paga com 2,4 milhões de libras (cerca de R$ 13 milhões) do tesouro. Especialistas acham difícil que o Palácio de Buckingham retire deles esses títulos, pois receberam muitas críticas quando a mãe de Harry, Diana, perdeu seu título ao se divorciar de Charles.

Eles podem trabalhar?
A regra é de que membros da família real não podem ser pagos para trabalhar, especialmente se isso causar conflito de interesses. Mas Harry diz que a proibição se aplica apenas aos membros seniores —os mais próximos à linha de sucessão do trono—, posição da qual ele abdicou em seu comunicado. 

Onde eles vão viver?
O casal disse que se dividiria entre o Reino Unido e a América do Norte. Nessa região, especula-se que possam morar no Canadá, onde Meghan viveu por vários anos e tem muitos amigos, ou em Los Angeles, onde mora a mãe da atriz.

Como era a relação de Harry com a rainha?
Jornalistas dizem que sempre foi boa, mas se desgastou após o casamento de Harry —a rainha teria se desapontado com decisões tomadas pelo casal sem consultá-la, como contratar seu próprio florista e confeiteiro. O casal também não teria avisado a avó que não passaria o último Natal com a família real. 

O anúncio público de que se afastariam das funções reais, sem consultar a rainha, foi considerado o golpe final no relacionamento. “O que já foi uma relação muito cálida e brincalhona entre avó e neto se dissipou”, disse uma fonte do palácio à revista Vanity Fair. 

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