Espiões descobrem identidade de novo líder do Estado Islâmico, diz jornal

Segundo o Guardian, novo 'califa' é Mohammed Abdul Rahman al-Mawli al-Salbi

São Paulo

O novo líder do Estado Islâmico é Amir Mohammed Abdul Rahman al-Mawli al-Salbi, afirma reportagem publicada nesta segunda-feira (20) pelo jornal inglês The Guardian. De acordo com a publicação, agentes de dois serviços de inteligência confirmaram a identidade do chefe, que havia sido anunciado pela organização terrorista com o codinome Abu Ibrahim al-Hashimi al-Quraishi.

Salbi é, diz o diário, um dos fundadores do Estado Islâmico. As informações em torno de sua trajetória indicam que ele liderou a escravização da minoria yazidi no Iraque, supervisionou operações do grupo pelo planeta e foi apontado como o novo comandante após a morte do antecessor, Abu Bark al-Baghdadi, cujo nome verdadeiro era Ibrahim Awad al-Samarrai.

Amir Mohammed Abdul Rahman al-Mawli al-Salbi, apontado como o novo líder do Estado Islâmico
Amir Mohammed Abdul Rahman al-Mawli al-Salbi, apontado como o novo líder do Estado Islâmico - Twitter

Há, segundo o Guardian, uma recompensa de US$ 5 milhões (R$ 20,9 milhões) estabelecida pelo departamento de Estado norte-americano por sua cabeça. Acredita-se que ele tenha ao menos um filho. ​

Desde que Baghdadi foi morto, em uma operação realizada pelos Estados Unidos na Síria, há quase três meses, espiões regionais e ocidentais conseguiram traçar um desenho mais claro do líder. Ele é retratado como um veterano há muito tempo no centro das decisões da organização, com características semelhantes às de Baghdadi, inflexível em sua lealdade ao grupo extremista.

Nascido em Tal Afar, no noroeste do Iraque, Salbi é de uma família de origem turca e um dos poucos não árabes nos postos de liderança do Estado Islâmico.

Ele também é conhecido pelos nomes de guerra Haji Abdullah e Abdullah Qardash, embora haja divergência em relação ao segundo nome, também atribuído a outro membro da organização, morto há dois anos.

Ainda de acordo com o Guardian, as informações dos espiões apontam que o iraquiano subiu a escada hierárquica do grupo com base em sua formação como estudioso islâmico. Profundo conhecedor da sharia, a lei islâmica, ele é formado em direito islâmico pela Universidade de Mosul, no Iraque.

Agora autointitulado califa –termo que, na tradição islâmica, indica o sucessor do profeta Maomé no comando dos muçulmanos–, Salbi ficou detido em Camp Bucca, presídio comandado pelos Estados Unidos no Iraque, em 2004. Foi lá que ele conheceu o antecessor Baghdadi.

Apontado como possível substituto de Baghdadi antes mesmo da morte do líder anterior, Salbi vem tentando consolidar sua posição em condições adversas. Ele herdou uma organização desmontada por anos de ataques aéreos de uma coalizão internacional e precisa estabelecer sua força no comando de um grupo formado por homens de outra geração. Da velha guarda, sobrou praticamente só ele.

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