Descrição de chapéu The Wall Street Journal

EUA enviarão ao México brasileiros que pedirem asilo na fronteira

Críticos dizem que imigrantes do Brasil terão dificuldade por não falarem espanhol

The Wall Street Journal

A administração Trump anunciou na quarta-feira (29) que brasileiros que tentarem atravessar a fronteira sudoeste dos EUA para pedir asilo no país serão enviados de volta para o México para aguardar a tramitação de seus processos de imigração.

Os brasileiros se somam às mais de 58 mil pessoas da América Central, Venezuela, Cuba e outros países já inscritos no controverso programa conhecido como Permanecer no México, instaurado um ano atrás.

Mas a inclusão dos imigrantes do Brasil chama a atenção pelo fato de serem a primeira nacionalidade coberta pelo programa cuja língua não é o espanhol.

“Esta lei não limita o programa a qualquer nacionalidade ou idioma”, disse o Departamento de Segurança Interna quando anunciou a modificação, aludindo à lei de 1996 aprovada pelo Congresso usada para justificar o programa.

A ampliação do Permanecer no México, cujo nome oficial é Protocolo de Proteção a Migrantes, acontece enquanto o governo Trump continua a buscar maneiras de acelerar a passagem das pessoas pelo processo de asilo e barrar a imigração irregular.

Ken Cuccinelli, diretor interino dos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA, anunciou na semana passada que no início de fevereiro serão ampliados dois programas piloto que visam acelerar o processo de candidatos a asilo detidos.

Todos esses esforços do governo para restringir a entrada de candidatos a asilo no país estão sendo contestados em tribunais federais. O Tribunal de Recursos do Nono Circuito deve anunciar em breve uma decisão sobre a legalidade do programa Permanecer no México.

Desde que entrou em vigor, no ano passado, o programa vem sendo criticado por advogados e defensores dos direitos humanos, para quem ele deixa pessoas em situação vulnerável com pouco acesso a abrigo, alimentação ou representação jurídica enquanto aguardam durante meses em cidades violentas da região da fronteira.

“A administração Trump deveria encerrar esse programa perigoso, não ampliá-lo”, afirma Eleanor Acer, diretora sênior de proteção a refugiados da organização Human Rights First.

“Apesar das evidências fartas de sequestros, ataques, falta de representação legal e das deficiências processuais que afetam este programa, a administração e o Departamento de Segurança Interna continuam a ampliá-lo e a descrevê-lo como um sucesso.”

Representantes da administração Trump já disseram anteriormente que pessoas que estão no programa podem encontrar trabalho e abrigo no México. Críticos destacam que alguns candidatos a asilo falam línguas indígenas e não dominam o espanhol.

“Os brasileiros terão dificuldade ainda maior em sobreviver enquanto aguardarem no México, porque não falam espanhol”, disse Acer.

O Departamento de Segurança Interna declarou na quarta-feira que o Permanecer no México é um elemento fundamental de sua política migratória e ajuda a acelerar o processamento de casos de asilo pendentes.

A administração disse também que o programa tem sido crucial para seus esforços de acabar com a política conhecida comumente como “capturar e soltar”, em que se permite que pessoas entrem nos EUA e fiquem em liberdade enquanto aguardam audiências em um tribunal de imigração.

Tradução de Clara Allain 

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