Evo recua e diz que não criará milícias caso seu partido volte ao poder

Ex-presidente boliviano tinha anunciado plano em entrevista na Argentina

La Paz | AFP

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales recuou nesta quinta-feira (16) e desistiu do plano de criar milícias armadas em seu país. 

Durante uma entrevista no último final de semana na Argentina, onde está refugiado, o ex-presidente afirmou que se seu partido, o MAS (Movimento ao Socialismo), voltasse ao poder, seria "preciso organizar, como na Venezuela, milícias armadas do povo”.

Desde o governo de Hugo Chávez (1999-2013), há grupos armados paralelos à polícia e ao Exército venezuelanos. Chamados de "coletivos", são forças pró-regime e atualmente respondem diretamente ao ditador Nicolás Maduro. 

"Não quero que nada do que eu digo seja usado como um pretexto para perseguir e reprimir minhas irmãs e irmãos", escreveu Evo numa carta de retratação publicada em uma rede social.

A proposta recebeu fortes críticas e motivou protestos na Bolívia e na Argentina, onde manifestantes questionaram o status de refugiado concedido por Buenos Aires ao ex-mandatário. 

Jean Arnault, enviado especial da ONU à Bolívia, disse na quarta (15) que a organização "adere ao repúdio manifestado por muitos atores internacionais". 

O líder boliviano chegou ao poder em 2006 após vencer eleições com forte apoio popular. Governou até sua renúncia, em novembro último, motivada por suspeitas de fraudes no pleito presidencial de 2019. 

As novas eleições na Bolívia estão marcadas para 3 de maio. Já estão confirmados como candidatos os oposicionistas Carlos Mesa (centro-esquerda), que disputou a última eleição, e o direitista Jorge Quiroga (direita), ambos ex-presidentes. O nome do candidato do MAS ainda não foi definido.

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