Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Ministro do Japão pede licença-paternidade e abre debate sobre o tema no país

Político vai tirar 2 semanas de folga após nascimento de seu filho, algo que poucos japoneses fazem

Megumi Fujikawa River Davis
Tóquio | The Wall Street Journal

Um potencial futuro primeiro-ministro do Japão está se posicionando como modelo, ao tirar uma folga para ajudar a cuidar de seu novo bebê, algo que poucos pais japoneses fazem.

O ministro do Meio Ambiente, Shinjiro Koizumi, filho do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi, disse que vai tirar duas semanas de folga durante os três meses após o nascimento de seu primeiro filho, que deverá ocorrer neste mês.

"Espero que minha licença para cuidar de um filho sirva de incentivo para que todos no Ministério do Meio Ambiente tirem licenças-paternidade sem hesitação e promovam um estilo de trabalho em que isso seja fácil", disse Koizumi, 38, em uma reunião ministerial na quarta-feira (15), de acordo com um funcionário.

Shinjiro Koizumi e a âncora televisiva Christel Takigawa, sua mulher, durante entrevista para a imprensa na residência oficial do premiê Shinzo Abe - Jiji Press/STR/AFP

Como ministro do gabinete e membro do Parlamento, Koizumi não está coberto por nenhum sistema de licença-paternidade, e tem o direito de definir seu próprio horário de trabalho. Portanto, sua descrição desse tempo de folga como licença para cuidar do filho ou licença-paternidade é puramente simbólica.

Ainda assim, os funcionários do ministério receberam o anúncio como um exemplo para os outros.

"Como o ministro assumiu a liderança, acredito que o clima dentro do ministério mudará, e os homens tirarem licença para cuidar de filhos ficará mais perto de se tornar uma norma", disse Keita Suzuki, que trabalha na divisão de estratégia internacional do ministério.

Koizumi casou-se com a âncora de noticiário Christel Takigawa em agosto, quando ela estava grávida de seu filho. Ele é frequentemente mencionado como um futuro primeiro-ministro, embora tenha lutado como ministro do Meio Ambiente para equilibrar a dependência do Japão das usinas de energia elétrica movidas a carvão com as demandas de ativistas ambientais.

O governo do primeiro-ministro Shinzo Abe incentivou mais homens a adotarem a licença-paternidade, parte de uma campanha para acrescentar mães trabalhadoras à força de trabalho. O governo espera aumentar para 13% a taxa de homens com licença-paternidade neste ano, em comparação com 6% no ano até março de 2019.

Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Japão está entre as nações mais generosas em licença parental, com funcionários qualificados com direito a até 52 semanas de folga com remuneração reduzida. Algumas pessoas, como diaristas e legisladores, não são cobertas pela política.

A maioria dos homens não tira licença-paternidade, por ignorar o sistema ou por medo de que chefes e colegas não aprovem.

Koizumi disse que não sairá totalmente do ar nos dias que está chamando de licença-paternidade. Ele disse que poderá trabalhar em casa ou ir ao escritório durante parte do dia.

Akiko Kojima, pesquisadora do Instituto de Pesquisas do Japão, disse que muitos homens estão tirando licença por um dia ou dois para ajudar as empresas a atingir as metas incentivadas pelo governo, sem muitos benefícios práticos para suas mulheres.

"Seria melhor que os pais tirassem licenças de forma flexível e contínua", disse Kojima. "O verdadeiro objetivo da licença-paternidade deve ser a divisão do trabalho doméstico e do cuidado da criança entre marido e mulher."

Yoko Suzuki, pesquisadora da Mitsubishi UFJ Research and Consulting, disse que as pessoas tendem a ver a licença-paternidade como uma forma de apoiar as mulheres, mas elas também devem lembrar que existem homens que desejam um envolvimento mais ativo na educação dos filhos.

Michihiro Oi, funcionário do Ministério do Meio Ambiente com cerca de 50 anos, disse que os avanços chegaram tarde demais para ele. "Gostaria que meu ministro tivesse sido Koizumi há 20 anos", disse Oi.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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