Jornalista que divulgou presença de Macron em teatro é detido após ativistas tentarem invadir o local

Taha Bouhafs, 22, também é militante político ligado à esquerda francesa

Paris | Reuters

Um grupo de manifestantes tentou invadir um teatro em Paris onde o presidente da França, Emmanuel Macron, assistia a uma peça, depois que o jornalista e ativista político Taha Bouhafs publicou uma mensagem numa rede social revelando a presença do líder no local. 

O francês de 22 anos foi detido pela polícia e acusado de "participar de um grupo formado com o fim de cometer violência ou degradação", um crime punível com até um ano de prisão e multa de 15 mil euros (cerca de R$ 70 mil).

Grevistas bloqueiam a entrada do Museu do Louvre
Grevistas bloqueiam a entrada do Museu do Louvre em Paris no 44º dia de paralizações contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Macron - Gonzalo Fuentes/Reuters

Após a publicação, dezenas de manifestantes se reuniram do lado de fora do prédio e pediram a renúncia do presidente. Eles se opõem à reforma da Previdência francesa —a proposta do governo é alvo de protestos há mais de um mês. 

Macron, que estava acompanhado de sua esposa, Brigitte, assistiu à peça até o final e deixou o teatro escoltado pela polícia por volta de 22h. 

Bouhafs é funcionário do site "Là-bas si j'y suis", que é considerado pela legislação francesa como um veículo de imprensa. No entanto, há profissionais do meio que não o reconhecem como jornalista por causa de suas ligações políticas —antes de ser contratado, ele disputou as eleições legislativas de 2017 pela coalizão esquerdista La France Insoumise (a França Insubmissa) e fez campanha pelo candidato a presidente Jean-Luc Mélenchon.

Desde que o projeto de reforma foi apresentado, Macron tem deixado seu primeiro-ministro, Édouard Philippe, à frente dos esforços para a aprovação das regras e do diálogo com entidades sindicais, historicamente muito influentes na política do país.

Nas últimas semanas, milhares de franceses participaram de greves e de paralisações nos transportes —a entrada ao Museu do Louvre foi bloqueada na sexta-feira por um protesto de sindicalistas.

Antes proposta da reforma da Previdência, Macron já enfrentava desgastes junto ao eleitorado pela forma com que lidou com os protestos dos coletes amarelos, que já duram mais de um ano —embora não reúnam mais grandes multidões como nos primeiros meses. 

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