Macron discute com policiais israelenses na Cidade Velha de Jerusalém

Seguranças queriam acompanhar presidente em visita à igreja de Santa Ana, propriedade francesa

Jerusalém | AFP e Reuters

O presidente francês, Emmanuel Macron, discutiu com policiais israelenses nesta quarta-feira (22) após oficiais que faziam a segurança do líder europeu em visita à Cidade Velha de Jerusalém tentarem acompanhá-lo na igreja de Santa Ana de Jerusalém, propriedade da França em território israelense.

"Não gosto do que você fez na minha frente", gritou Macron em inglês a um policial na entrada da basílica e que havia pedido ao presidente que deixasse o local.

"Por favor, vá para fora, ninguém tem que provocar ninguém, entendido?", continuou. "Ficamos calmos, tivemos um ótimo passeio, vocês fizeram um ótimo trabalho na cidade e eu aprecio isso, mas, por favor, respeitem as regras estabelecidas há séculos, elas não vão mudar comigo, posso dizer isso. Aqui é a França e todos sabem as regas", afirmou, ainda em inglês.

Antes de chegar à basílica, Macron percorreu a Cidade Velha, conversando com lojistas e fazendo uma parada na Igreja do Santo Sepulcro.

A igreja de Santa Ana, construída no século 12, foi um presente dos otomanos para o imperador Napoleão 3º em 1856 como forma de agradecimento ao apoio francês na Guerra da Crimeia.

Graças a tratados internacionais, o templo religioso segue como propriedade francesa até hoje. O país é dono de outros três territórios em Jerusalém.

Um episódio semelhante aconteceu em 1996, quando o ex-presidente Jacques Chirac se irritou com policiais israelenses por ficarem muito próximos a ele e espantarem as pessoas que tentavam cumprimentá-lo.

Chirac então colocou a mão no ombro de um segurança e pediu: "Você quer que eu pegue um avião de volta?".

Quando sua procissão chegou à igreja de Santa Ana, Chirac ficou furioso ao encontrar oficiais israelenses armados dentro da igreja e exigiu que eles saíssem antes de entrar.

Macron está em uma viagem de dois dias a Israel e aos territórios palestinos, que coincide com o aniversário de 75 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz. Ele é uma das dezenas de líderes mundiais que participarão na quinta-feira (23) do Fórum Mundial do Holocausto, no centro de memória Yad Vasehm, em Jerusalém.

O líder francês se encontrou com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, nesta quarta e tem ainda na agenda do dia uma reunião com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na Cisjordânia, território majoritariamente palestino ocupado por assentamentos israelenses.

A França defende que a criação de dois estados é a única opção viável para acabar com o conflito entre entre Israel e Palestina, ainda que Macron tenha descartado o reconhecimento de um estado palestino independente, dizendo que não serviria aos esforços de paz.

O presidente francês pede a policiais israelenses que deixem a Igreja de Santa Ana, na Cidade Velha de Jerusalém - Ludovic Marin/AFP

Um dia antes do episódio com Macron, uma deputada polonesa do Parlamento Europeu, Sylwia Spurek, divulgou em uma rede social na terça (21) uma ilustração onde se veem vacas vestindo uniformes listrados com uma estrela amarela no peito, em alusão ao vestuário usado por prisioneiros judeus em campos de concentração nazistas.

Diante de críticas à sua postagem, respondeu: “Essa arte me encanta? Não, me assusta como as pessoas tratam outros animais e acho que toda pessoa inteligente deve entender a mensagem deste artista”, disse a parlamentar.

Em paralelo, o Pew Reserach Center divulgou uma pesquisa na quarta mostrando que a grande maioria dos americanos (84%) sabe que o Holocausto envolveu perseguição e morte de judeus, mas quase metade (45%) desconhece o enorme número de vítimas —6 milhões de mortos. Outros 43% também não sabiam que Hitler foi eleito. Foram entrevistadas 10.971 pessoas em fevereiro de 2019.  ​

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