Passa de 300 o número de feridos durante protesto em Beirute

Confronto foi um dos mais violentos dos últimos meses; manifestantes protestam contra a crise socioeconômica do país

Beirute | AFP

Mais de 300 pessoas foram feridas durante um protesto em Beirute, neste sábado (18), no mais violento confronto entre manifestantes e policias desde que movimentos contra políticos começaram, há três meses.

O nível de violência dos atos vem aumentando devido a situação socioeconômica do país e a incapacidade das autoridades formarem um governo após a saída do primeiro-ministro Saad Hariri, há dois meses.

confronto ocorreu em uma das principais portas do parlamento, no centro da capital. 

Manifestante atira pedras durante um protesto contra uma elite no poder acusada de levar o Líbano a uma crise econômica em Beirute, no Líbano
Manifestante atira pedras durante um protesto contra uma elite no poder acusada de levar o Líbano a uma crise econômica em Beirute, no Líbano - Mohamed Azakir/Reuters

Alguns manifestantes com os rostos cobertos lançaram projéteis, placas de sinalização de trânsito e pedras contra a polícia. Outros tentaram cruzar a barreira formada ao redor do parlamento. Canhões de jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo foram usados pelas forças de segurança para tentar dispersar o ato.

Mais de 220 pessoas foram levadas aos hospitais e centros de cuidados locais, de acordo com a Cruz Vermelha libanesa. Já as equipes de defesa civil disseram à Reuters que atenderam outras 114 pessoas.

 

Mesmo com os enfrentamentos, os protestos seguiram pela noite. 

Nos últimos dias, os manifestantes atacaram bancos, acusados ​​de serem cúmplices de poder, no bairro de Hamra de Beirute.

Dezenas de pessoas foram detidas na terça (14) e quarta-feira (15) e liberadas em seguida.

A Anistia Internacional e a organização Human Rights Watch lamentaram o que eles chamaram de detenções arbitrárias e consideraram o nível de violência contra os manifestantes inaceitável.

Histórico dos atos

Desde 17 de outubro, os libaneses vêm fazendo manifestações massivas no país, que passa por sua pior crise econômica desde a guerra civil (1975-1990). Bancos, escolas e universidades estão fechados, e barreiras bloqueiam os principais acessos à capital. 

O levante está sendo chamado de "revolução do WhatsApp" porque começou após o anúncio de um plano para cobrar uma taxa sobre chamadas de voz em aplicativos como esse. A cobrança seria de 20 centavos de libra libanesa (R$ 0,83) por dia para ligações feitas por meio de programas que usam a tecnologia Voip, que permite chamadas pela internet. 

O governo recuou horas mais tarde, mas as manifestações continuaram, evidenciando o descontentamento da população frente a políticos que levaram o Líbano à crise econômica.

Abalado por uma guerra civil entre 1975 e 1990, o Líbano é um dos países mais endividados do mundo: o crescimento econômico foi dificultado por conflitos e instabilidade regionais. O desemprego entre pessoas com menos de 35 anos chega a 37%.

Os libaneses sofrem com a escassez crônica de água e eletricidade, e mais de um quarto da população vive abaixo da linha de pobreza. 

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