Em nova onda de apreensões, México detém mais de 2.000 migrantes que iam para os EUA

Mesmo com operação, centenas cruzaram fronteira do país com a Guatemala

Tecún Umán (Guatemala) | Reuters e AFP

Autoridades mexicanas de imigração prenderam mais de 2.000 migrantes da América Central em diferentes partes do sul do país na segunda-feira (20), dia em que centenas de pessoas de uma caravana com destino aos EUA conseguiram entrar no México após enfrentarem policiais na fronteira com a Guatemala.

O Instituto Nacional de Migração divulgou os números na quarta (22), detalhando que, mediante tarefas de inspeção de imigração em áreas urbanas e rurais, conseguiu deter cerca de 1.300 pessoas em Tabasco e outras 800 em Chiapas, ambos estados mexicanos que fazem fronteira com a Guatemala. Havia menores de idade entre apreendidos.

Parte dos detidos integrava a "caravana 2020", um grupo de cerca de 3.500 pessoas, em sua maioria hondurenhos, que tentam cruzar o México com destino aos EUA. O restante é composto por migrantes que entraram por outros pontos da fronteira e já estavam atravessando o país.

O Ministério do Interior informou que 460 hondurenhos foram deportados em aviões e ônibus nesta quarta, partindo de Chiapas e Tabasco.

Migrante vindo da América Central segura bandeira americana após cruzar o rio Suchiate e chegar ao México - Andres Martinez Casares/Reuters

No início da semana, centenas de membros da caravana tentaram escapar da fiscalização da fronteira cruzando o pouco caudaloso rio Suchiate, fronteira natural do México com a Guatemala. A Guarda Nacional Mexicana respondeu com o uso efetivo de gás lacrimogêneo para impedir o avanço. Cerca de 500 conseguiram entrar no país pelo rio, mas ao fim 400 foram presos.

Quem não se arriscou a cruzar o rio esperou em uma ponte na divisa do México com a Guatemala, onde a segurança foi reforçada para impedir o ingresso. "Nós pensamos que poderíamos entrar, da mesma forma que a caravana de outubro, quando chegou a Tijuana", disse o migrante hondurenho Ritzy Anabel, que não informou seu sobrenome. "As pessoas do México e da Guatemala os trataram bem. Mas agora isso mudou porque os mexicanos não nos querem mais."

Após a enorme caravana do final de 2018, quando 3.000 pessoas cruzaram a fronteira para o México, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou o país com sanções comerciais se o governo não adotasse medidas para impedir a onda migratória. 

O país então reforçou a segurança das fronteiras, destacando cerca de 26 mil soldados para patrulharem as divisas norte e sul. Assim, o volume de pessoas sem documentos que tentam cruzar o México com destino aos EUA —onde buscam refúgio, argumentando que fogem da pobreza e da violência— diminuiu em 56% nos últimos meses.

Nesta quinta (23) pela manhã, porém, centenas de pessoas conseguiram ingressar pelo rio Suchiate ao se aproveitarem da ausência de forças de segurança mexicanas na região, mostraram imagens de TV. Após ingressarem, formaram uma coluna em uma rodovia de Ciudad Hidalgo, no estado de Chiapas.

Entre assobios e gritos de "lá vamos nós!", os migrantes, a maioria homens, embora também houvesse famílias inteiras, apressaram-se enquanto se dirigiam para um posto de fronteira localizado a uma curta distância.

Contudo, desde que a caravana iniciou sua jornada, em 14 de janeiro, houve quem desistisse e optasse por retornar à Guatemala, desencorajados pela forte vigilância exercida pela Guarda Nacional Mexicana nos dias anteriores.

Na terça-feira (21), foi relatado o retorno de pelo menos 333 migrantes hondurenhos, 219 deportados pelo México e 114 que desistiram e voltaram da Guatemala para Honduras. "Quando perceberam que havia opções de abrigo, trabalho em seus locais de origem, desistiram e estão retornando voluntariamente", disse o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador.

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