Afegãos festejam início de trégua, mas 1º dia tem ataque do Taleban

Grupo insurgente havia acordado uma semana de redução de violência com os EUA

Cabul | Reuters

Afegãos saíram às ruas neste sábado (22) para comemorar o primeiro dia de uma trégua de ao menos uma semana firmada entre os EUA e o Taleban, mas militantes do grupo radical entraram em confronto com forças de segurança na província de Balkh horas após o início do acordo, segundo um porta-voz regional.

Os dois lados lutam pelo controle de Balkh há anos. Não foram divulgadas informações sobre mortos e feridos.

O Taleban confirmou o ataque e alegou que um comboio militar tentou entrar em uma área dominada pela milícia. O representante taleban não considerou, porém, que os choques foram uma quebra do pacto, por este ser restrito a algumas áreas.

Afegãos celebram o primeiro dia da redução de violência em Kandahar, no Afeganistão - Javed Tanveer/AFP

O comandante das forças americanas, Scott Miller, afirmou que é preciso esperar os próximos dias para avaliar se o acordo foi bem-sucedido.

Os Estados Unidos e o Taleban anunciaram na sexta (21) um acordo de redução da violência no Afeganistão que passou a valer a partir da meia-noite deste sábado (22), no horário local (16h30 de sexta em Brasília).

A pausa deve durar ao menos sete dias e será um teste de viabilidade para um futuro acordo de paz, previsto para ser assinado no próximo dia 29. 

No entanto, não se trata de um cessar-fogo. "Cada parte tem o direito de se defender, mas não haverá ataques às posições um do outro durante esse período de sete dias", explicou um lider taleban, ouvido pela Reuters.

O Taleban instruiu seus integrantes a se manterem na defensiva e a não viajarem para áreas controladas pelo governo afegão e por forças internacionais. Instruções sobre o que acontecerá após a assinatura do acordo dentro de sete dias serão comunicadas posteriormente, informou o grupo.

O pacto incluirá a libertação de prisioneiros dos dois lados, segundo Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taleban.

Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, disse que o acordo visa estabilizar a situação local e abrir caminho para a retirada de soldados americanos do Afeganistão.

Cerca de 14 mil militares dos EUA atuam no país como parte da missão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) liderada pelos americanos para treinar as forças afegãs e realizar operações de combate ao terrorismo.

O anúncio do acordo de paz ocorre após meses de negociações entre EUA e Taleban, que se enfrentam no Afeganistão desde 2001. Os americanos acusaram o grupo de dar apoio aos autores dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Logo depois dos ataques, forças americanas invadiram o Afeganistão e tiraram o Taleban do comando do país.

Houve eleições a partir de 2004, mas queixas de fraude, corrupção e brigas afetaram a credibilidade do governo. Enquanto isso, o Taleban, que defende uma interpretação radical dos preceitos islâmicos, foi ressurgindo e fazendo ataques, ao lado de outros grupos rebeldes. As conversas entre as duas partes ocorrem desde 2018 em Doha, no Catar. 

O presidente do país, Ashraf Ghani, foi declarado reeleito em 18 de fevereiro, cinco meses após a realização da eleição, processo que atrasou devido à revisão de votos. Com a demora, opositores ameaçam rejeitar o resultado e formar um governo paralelo. 

Para os afegãos, há temores de que, sem a presença militar estrangeira, etnias e regiões rivais entrem em conflito e que isso gere uma guerra civil como a dos anos 1990. 

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