Autoridade Nacional Palestina rompe com Estados Unidos e Israel

Ruptura inclui cooperação militar, afirma presidente da organização, Mahmoud Abbas

Cairo | AFP e Reuters

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, anunciou neste sábado (1º) a ruptura de "todas as suas relações" com Israel e EUA, poucos dias depois de a Casa Branca apresentar uma proposta de plano de paz para a região.

Durante uma reunião da Liga Árabe no Egito, Abbas afirmou que "rejeita completamente" o plano de Donald Trump e que a proposta é "uma violação dos acordos de Oslo", que israelenses e palestinos assinaram em 1993. 

"Informamos Israel que não haverá relações de nenhuma natureza com eles e com os EUA, incluindo a cooperação na área de segurança", disse Abbas.

O presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas (à esquerda) conversa com o secretário-geral da Liga Árabe,  Ahmed Aboul Gheit
O presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas (à esquerda) conversa com o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit - Khaled Desouki/AFP

"Israel deve assumir suas responsabilidades como potência ocupante dos territórios palestinos."

A Liga Árabe também afirmou que rechaça o plano americano. 

Forças de segurança de Israel e da Autoridade Nacional Palestina têm um histórico de cooperação no monitoramento de áreas que estão sob controle palestino. Além disso, a Autoridade Palestina também tem acordos de colaboração com a CIA (a agência de inteligência dos EUA). 

Em meio ao processo de impeachment que enfrenta no Senado americano, Trump revelou seu plano de paz na terça (28), ao qual chamou de "acordo do século". Ele estava acompanhado do premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

A proposta reflete a postura pró-Israel de Trump, observada em pontos como a criação de um Estado palestino desmilitarizado e o reconhecimento da soberania israelense sobre seus assentamentos na Cisjordânia e no vale do rio Jordão.

O anúncio da proposta aconteceu à revelia das autoridades palestinas, que interrompeu o diálogo com os EUA desde o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a cidade, em 2018.

Abbas rejeitou nos últimos meses convites de Trump para negociar. 

Analistas afirmam acreditar que o plano dos EUA poderia alimentar o conflito palestino-israelense em vez de resolvê-lo e levantaram dúvidas se a comunidade internacional apoiará o projeto.

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