Evo Morales confirma candidatura ao Senado da Bolívia

Ex-presidente renunciou ao cargo em novembro e está na Argentina como refugiado

La Paz | AFP

O ex-presidente boliviano Evo Morales formalizou sua candidatura ao Senado para as eleições de 3 de maio, informou o Supremo Tribunal Eleitoral do país.

Evo, que renunciou à Presidência em novembro, encabeça a lista de oito candidatos à Casa (quatro titulares e quatro suplentes) para a região sul de Cochabamba pelo seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS).

O ex-mandatário não pode concorrer à Presidência nessas eleições, por determinação legal. Evo já comandou a Bolívia por três mandatos e tentou obter o quarto nas eleições de 2019.  

Evo Morales, durante entrevista coletiva em Buenos Aires - Mario de Fina - 27.jan.2020/Reuters

Foi apontado como vencedor, mas a apuração, marcada por denúncias de fraude, levou à sua renúncia sob uma onda de protestos e pressão das Forças Armadas.

A princípio, não há restrições para que Evo dispute uma cadeira no Congresso, mas uma questão pode barrá-lo. 

A Constituição exige que os candidatos residam nos últimos dois anos na zona eleitoral na qual estão concorrendo. Quem não cumprir a regra é desqualificado, e o ex-presidente vive na Argentina desde dezembro, após um breve exílio no México

Outro ponto é que Evo é alvo de processo na Bolívia pelas acusações de sedição e terrorismo. Mesmo que seja eleito, não teria proteção jurídica: a Constituição de 2009, promulgada pelo próprio ex-presidente, acabou com a imunidade parlamentar. Com isso, haveria a possibilidade de ele ser preso ao retornar ao país.

Evo diz que uma convenção das Nações Unidas protege os direitos políticos de pessoas asiladas ou refugiadas. Ele tem atuado como coordenador de campanha de Luís Arce, ex-ministro da Economia e membro do MAS, na disputa à Presidência.

Arce lidera as pesquisas, à frente de nomes como o ex-presidente centrista Carlos Mesa, o líder de direita Luis Fernando Camacho e a presidente interina, Jeanine Añez, que decidiu se candidatar mesmo após dizer que não entraria na disputa. 

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