Descrição de chapéu RFI

Greve dos lixeiros contra reforma da Previdência leva toneladas de sujeira às ruas de Paris

Prefeitura instalou lixeiras extras para 'incitar as pessoas ao civismo'

Daniella Franco
RFI

Lixeiras que transbordam, calçadas sujas, cheiro insuportável: as ruas da capital francesa também enfrentam a revolta dos trabalhadores contra a reforma da Previdência que o governo pretende adotar. Há dez dias, lixeiros e agentes de limpeza realizam uma greve sem previsão para ter fim.

Após a paralisação dos transportes públicos, agora é a vez de os lixeiros pressionarem o governo. Nas calçadas de Paris e região, toneladas de detritos se acumulam.

Seis dos sete fornos de incineração de lixo também pararam de funcionar.

Lixeiros e agentes de limpeza são contra o projeto de reforma da Previdência do governo francês, que promete uniformizar os 42 diferentes regimes de aposentadoria existentes.

Se aprovado, o plano do Executivo prevê eliminar o reconhecimento da periculosidade da profissão, um mecanismo que permite que a categoria possa atualmente se aposentar mais cedo.

Um dos argumentos utilizados é que a esperança de vida dos lixeiros é sete anos menor do que a média nacional.

Lixeiras transbordam em Paris - Charles Platiau/Reuters

"Não sabemos o que fazer com o lixo"

A paralisação da categoria, ignorada há dez dias pelas autoridades francesas, toma como refém os moradores de Paris, que já enfrentaram quase dois meses de greve dos transportes públicos.

"Estamos deixando o lixo no porão porque não sabemos mais o que fazer com ele. Se a greve continuar, nossa situação vai ficar complicada", diz Léon Castro, empregado em um restaurante da capital.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, pediu que o governo intervenha, restabelecendo ao menos a incineração do lixo nos depósitos.

Segundo a Syctom, agência que gerencia os detritos de seis milhões de moradores da região parisiense, a Secretaria de Segurança Pública pediu que novos funcionários sejam empregados —entre 300 e 350 pessoas— para permitir o retorno a um funcionamento mínimo do serviço.

Na última sexta-feira (31), o tribunal administrativo rejeitou um pedido da central sindical CGT (Confederação Geral do Trabalho) contra a realização de um serviço de coleta parcial e mínimo que prevê a contratação de empregados de uma empresa particular.

A prefeitura também instalou lixeiras extras para "incitar as pessoas ao civismo".

Greve em Marselha

Marselha, no sul da França, também é palco de uma greve dos lixeiros. Cerca de 3.000 toneladas de lixo se acumulam nas ruas da cidade.

A prefeitura local também afirma que além da interrupção da coleta, "25 grevistas bloqueiam há dez dias os centros de triagem de detritos".

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