Descrição de chapéu The New York Times

Magnata da mídia de Hong Kong é preso por participar de protestos

Grupo de Jimmy Lai publica jornal e site pró-democracia

Elaine Yu
Hong Kong | The New York Times

Um magnata da mídia de Hong Kong conhecido por sua firme oposição à China foi detido na sexta-feira (28) por ter participado de um protesto pró-democracia no ano passado, segundo a polícia.

Foi mais um golpe à imprensa independente da cidade.

O empresário Jimmy Lai, figura rara entre a elite de Hong Kong por sua atitude contrária a Pequim, é dono do Next Media Group, que publica um popular jornal pró-democracia e um site, ambos chamados Apple Daily.

Sua prisão ocorre no momento em que a cidade passa tanto pelos movimentos de protesto quanto pelo surto de coronavírus.

Sua posição singular como empresário importante em Hong Kong que apoia abertamente o movimento pela democracia e os protestos contra o governo fez dele um alvo frequente de elementos apoiados por Pequim.

O magnata Jimmy Lai na sede do Next Media Group, em Hong Kong - Lam Yik Fei/The New York Times

Lai foi preso sob alegações de participar de uma assembleia não autorizada em 31 de agosto, disse um porta-voz da polícia na sexta-feira, sem citá-lo especificamente.

Naquele dia, multidões de manifestantes desafiaram a proibição da polícia à sua marcha e entraram em confronto com policiais antimotim. Dois outros ativistas veteranos pró-democracia também foram presos na sexta por participarem do mesmo protesto.

As detenções inesperadas e de pessoas conhecidas, que ocorreram nas casas dos ativistas, foram feitas enquanto Hong Kong, já abalada por meses de manifestações no ano passado, luta para conter o surto de coronavírus, que alimentou o pânico e ainda mais desconfiança das autoridades.

Lai também foi preso por denúncias de "intimidação criminal" por um incidente de três anos atrás, disse o porta-voz da polícia.

O Oriental Daily, publicação pró-Pequim, divulgou um trecho de uma discussão naquele dia, 4 de junho de 2017, que mostrava Lai usando linguagem obscena e ameaçando um de seus repórteres em uma vigília em homenagem ao massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989.

"Finalmente preso depois de mais de dois anos e meio", dizia a manchete do site. Não ficou claro o que precedeu a discussão. Mark Simon, principal assessor de Lai, confirmou a prisão.

As detenções foram feitas na mesma semana em que um tribunal da China condenou um livreiro de Hong Kong, Gui Minhai, a dez anos de prisão.

Gui vendia livros de fofocas sobre os líderes da China e desapareceu misteriosamente na Tailândia em 2015. Mais tarde surgiu como alvo do esforço chinês para conter a dissidência.

As prisões na manhã de sexta se seguem às de mais de 7.000 manifestantes desde junho, como parte da campanha do governo de Hong Kong para reprimir os protestos.

A China trabalhou incansavelmente para difamar Lai, que forneceu uma plataforma poderosa e abrangente para os manifestantes jovens e sem líderes de Hong Kong.

Em uma postagem no Facebook na sexta, o Partido Trabalhista de Hong Kong confirmou que a polícia prendeu seu vice-presidente, Lee Cheuk-yan, antigo defensor da democracia, por seu papel na manifestação de 31 de agosto.

Ele condenou a polícia por "prisões indiscriminadas" e "suprimir o direito de protestar do povo de Hong Kong".

Yeung Sum, outro ativista e ex-presidente do Partido Democrata, também foi preso na sexta, informou o partido.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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