Partido de Merkel sai derrotado de eleição em Hamburgo

Boca de urna mostra também que ultradireitistas da AfD podem ser expulsos do parlamento regional

Hamburgo | Reuters e AFP

Os eleitores da cidade alemã de Hamburgo puniram os conservadores de Angela Merkel neste domingo (23), empurrando-os para o terceiro lugar, e expulsaram os ultradireitistas da Alternativa para Alemanha (AfD) do parlamento regional, segundo as primeiras pesquisas. 

A CDU (Conservadores Democratas Cristão), que busca um líder e uma linha consistente depois que a sucessora de Merkel renunciou em meados de fevereiro, teve cerca de 11% dos votos, em comparação com os 15,9% da última eleição em 2015, segundo a rede pública ARD.

Foi o segundo pior resultado de todos os tempos para o partido conservador, depois dos 9% que obteve em 1951 na cidade-estado de Bremen.

Ciclista passa por cartazes de campanha eleitoral em Hamburgo
Ciclista passa por cartazes de campanha eleitoral em Hamburgo - Patrik Stollarz/AFP

Os social-democratas, que perdem fôlego em todo o país, ficaram com 37,5% dos votos. Foi uma queda de cerca de 7 pontos em relação a 2015, mas ainda é o partido mais forte de Hamburgo, tradicionalmente um reduto de centro-esquerda.

Depois deles vieram os verdes, que passaram de 12,3% para mais de 25% dos votos, refletindo a onda ambiental que percorre o país desde as eleições europeias de maio de 2019, com a preocupação com o clima como pano de fundo.

A grande derrotada foi a AfD, que, segundo as pesquisas, ficou abaixo dos 5% necessários para entrar na Câmara regional, o que significaria deixar o parlamento regional depois de se estabelecer em 2014 em 16 assembleias de todo o país.

"Os nazistas saíram", gritaram simpatizantes dos social-democratas e dos verdes enquanto comemoravam na cidade do norte da Alemanha

"Para nós na CDU, este é um resultado amargo nas eleições", disse o primeiro-ministro da sigla no estado de Schleswig Holstein, Daniel Guenther.

A votação na próspera Hamburgo, embora não seja muito representativa para o país como um todo, com seus 1,3 milhão de eleitores com mais de 16 anos e que geralmente votam na centro-esquerda, ocorre em meio à crise de identidade do partido de Merkel.

Chanceler por quase 15 anos, ela disse que não concorrerá novamente nas próximas eleições federais, previstas para outubro de 2021.

Há duas semanas, a líder da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, que vinha sendo preparada para suceder a chanceler, anunciou que ficaria de fora do pleito. A CDU planeja anunciar um candidato a essa sucessão na segunda-feira.

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