Progressista, líder do Sinn Féin ajudou a rejuvenescer seu partido

Mary Lou McDonald é formada em literatura e integra geração que não viveu conflitos armados

Bruxelas

Nascida numa família progressista de classe média em Dublin, Mary Lou McDonald, a mulher que liderou o terremoto eleitoral irlandês deste ano, foi educada em colégio particular católico e formou-se em literatura inglesa na universidade de maior prestígio do país, o Trinity College, antigo bastião protestante do império britânico.

Admiradora do dramaturgo e romancista Samuel Becket e da jornalista persa Christiane Amanpour, a presidente do Sinn Féin se especializou na obra da poeta americana Sylvia Plath.

A presidente do Sinn Féin, Mary Lou McDonald, em Dublin
A presidente do Sinn Féin, Mary Lou McDonald, em Dublin - Phil Noble - 9.fev.2020/Reuters

Casada com um funcionário do serviço de emergência de uma empresa de gás, tem dois filhos, de 17 e 14 anos, e faz parte de uma geração que não participou dos conflitos armados. Antes de entrar na política, foi pesquisadora do think-tank Instituto de Estudos Europeus e Internacionais.

Sua carreira começou pelo partido de seus pais, o Fianna Fail, agremiação de origem nacionalista rotulada como de centro-esquerda. Aos 30 anos, filiou-se ao Sinn Féin, em 1989, um ano depois do acordo que restabeleceu a paz na Irlanda do Norte.

Gerry Adams, que liderava o partido republicano desde 1983, identificou rapidamente o potencial de Mary Lou para ajudar a reformar a imagem do partido, desgastada pelo passado de violência dos chamados “Trouble Years” (anos turbulentos, nas décadas de 1970 a 1990).

“Inteligente, articulada, confiante e ótima debatedora”, segundo o jornalista Deaglán de Bréadun, autor do livro “Power Play - The Rise of Modern Sinn Féin” (sobre a ascensão do partido), ela se sai bem no rádio e na TV, ganhou projeção como oradora combativa e ajudou a afastar o estereótipo do militante republicano, homem, de 65 anos, sotaque do norte e passado nebuloso.

Desde que assumiu a presidência da agremiação, em 2018, enfrentou duas grandes derrotas: na eleição presidencial daquele ano, o Sinn Féin levou apenas 6% dos votos; em 2019, perdeu assentos na eleição do Parlamento Europeu e metade dos  postos em eleições locais.

Na reviravolta deste ano, Mary Lou reorientou a campanha para temas sociais e foi capaz de aplacar eleitores normalmente receosos das políticas do Sinn Féin. O futuro, porém, é duplamente imprevisível, segundo o cientista político irlandês Bill Kissane, professor da London School of Economics: Mary Lou nunca foi testada em cargos executivos e seu partido nunca participou de coligações, indispensáveis se quiser formar agora um governo.

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