Rebeldes houthis afirmam que coalizão liderada por sauditas matou 30 no Iêmen

Guerra civil já dura cinco anos; 80% da população depende de ajuda humanitária

Dubai | Reuters

Os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, acusaram a coalizão liderada pela Arábia Saudita de realizar ataques aéreos retaliatórios neste sábado (15), que teriam matado 30 pessoas, incluindo civis, na mais recente escalada da guerra civil que já dura cinco anos.

Segundo a emissora de TV Al-Masirah, ligada aos houthis, o Ministério da Saúde da província de Al-Jawf, controlada pelos rebeldes, afirmou que mulheres e crianças estavam entre os mortos.

Horas antes, os houthis disseram que haviam derrubado um avião de guerra (Tornado) da coalizão na sexta-feira (14). 

Crianças observam escombros de um prédio destruído
Crianças observam escombros de um prédio destruído em Sanaa, capital do Iêmen - Mohammed Mohammed - 14.fev.20/Xinhua

O porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, o coronel Turki al-Malki disse apenas que um jato Tornado havia caído em Al-Jawf, informou a agência de notícias estatal saudita neste sábado.

Maliki afirmou ainda que as operações de resgate foram iniciadas e que a possibilidade de ter havido danos foi relatada, mas não forneceu mais detalhes.

Não foi possível verificar de forma independente se a aeronave foi realmente abatida. 

A coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita, que conta com o apoio dos Estados Unidos, Reino Unido e grande parte dos Estados do Golfo Pérsico, interveio na guerra civil do Iêmen em março de 2015, depois que os houthis expulsaram, em 2014, o governo reconhecido internacionalmente da capital Sanaa.

O conflito é considerado uma guerra por procuração entre sauditas, que seguem a corrente sunita do Islã, e o Irã, que segue a corrente xiita e é seu principal inimigo regional.

No início deste mês, funcionários da ONU afirmaram que a operação de ajuda humanitária no país, atualmente a maior em operação no mundo, será reduzida em março.

Segundo eles, doadores e trabalhadores dessas missões dizem que não podem mais garantir que os alimentos destinados a milhões de pessoas cheguem aos que precisam.

Eles disseram ainda que as autoridades houthis no norte do Iêmen estão obstruindo os esforços de fornecimento de alimentos e outras ajudas aos necessitados, em um grau que não é mais tolerável.

A redução incluiria parte da ajuda alimentar supervisionada pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PAM), que alimenta mais de 12 milhões de iemenitas por mês, 80% deles nas áreas controladas pelos houthis.

Segundo a ONU, trata-se da maior crise humanitária do mundo. Cerca de 80% da população (24 milhões de pessoas) dependem de assistência e proteção humanitária.

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